segunda-feira, 18 de abril de 2016

[receita] Risotto de arroz da terra com pimentões coloridos



 Risotto de arroz da terra com pimentões coloridos

Ingredientes [para uma pessoa]:
80 gr, de arroz da terra
1 cebola branca de tamanho médio
3 pimentões verdes, quase maduros
5 cl de azeite extravirgem de oliva
1 pitada de sal
250 ml de água quente

Numa panela alta com tampa, refogar a cebola fatiada no azeite de oliva, até ficar dourada. Acrescentar os pimentões coloridos, cortados em finas tiras e deixar cozinhar por alguns minutos, remexendo com a colher de pau.
Juntar às hortaliças o arroz, temperar com uma pitada de sal e misturar bem todos os ingredientes.
Acrescentar 240 ml de água quente, cobrir a panela com a tampa e deixar cozinhar o risotto por aproximadamente 20 minutos, ou até a água não ter secado quase completamente. Desligar o fogo.
Remexer o risotto com a colher de pau e deixar abafar por cinco minutos na panela tampada antes de consumir.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

[meu sertão] quem cedo madruga... ganha um peixe e tem que ir comprar o coentro para fazer o pirão



Foi massa, hoje. Acordei bem cedinho, com o corpo todo dolorido pelo trabalho duro de pá e enxada dos dias anteriores. Com o céu todo azul, conferi a medição no pluviômetro¹ com uma hora de antecedência, e fui tomar banho de rio.
A água estava bem geladinha, mas em poucos minutos me acostumei e fiquei boiando entre um barquinho e outro dos poucos pescadores locais, que não foram pescar no Ceará, ou trabalhar numa fabrica de tijolos, para sobreviver à seca.
Pouco depois, desceu pro berço-dágua seu Zé, meu vizinho, que completou 81 anos umas semanas atrás. Ele é minha inspiração para um filme que tenho na cabeça, intitulado: "Zé Preto - Sempre fui pescador"...
Seu Zé começou a arrumar as coisas na canoinha dele e eu fui até lá para conversar um pouco com ele.
De pronto, me avisou que, com a chuva do dia anterior, o rio tinha subido oito centímetros. Estas medidas são tomadas pelos próprios pescadores em estacas marcadas, fincadas nas margens da barragem. Curiosamente, a chuva do domingo, que foi bem maior, não fez subir da mesma forma o nível do rio.
Seu Zé me explicou também como interpretar os sinais deixados por milhares de larvas de um bichinho aquático, que crescem nos troncos podres que ficam nas margens de rios e lagos. Vou explicar isso pra você outra vez, depois de eu entender direitinho.
É lendo os sinais da natureza, como esse daí, que seu Zé hoje decidiu ir pescar num serrote, que fica não muito distante e que, quando ele for lá, está dando sempre um peixinho pro almoço, pelo menos.
Me despedi de seu Zé e sai da água para voltar pra casa. No meio do caminho, chegou por trás, com passo ligeiro, outro pescador, Tonho. É a ele, quando passa na frente de casa, que eu pergunto, se acordar com vontade de comer um peixe:
~Esse peixe é pra vender? - e logo, por um precinho camarada, eu levo pra cozinha um tucunaré ou uma tilápia de um quilo, quilo e duzentos, que pra mim tá bom demais.
Tem dias, porém, como hoje, que ele me responde:
- Não é pra vender não - diz, com cara séria, e depois, abrindo um sorriso:
- Leve este peixe pra você, não precisa pagar...
Como já ando pelo Vale do Assu desde 2008, aprendi a não ficar discutindo em casos como este; isso faz parte da cortesia sertaneja, que tem regras não escritas, feitas por pessoas de palavra.
Agradeci, prometi uma bacia de umbu-cajás, e entrei em casa. Logo me lembrei que não tinha coentro, que, não sei você, mas por mim é um ingrediente fundamental do caldo de peixe, que vai virar um delicioso pirão.
Assim peguei a bicicleta e da-lhe 4+4km pedalando para ir e voltar até o mercadinho.
Mas, ainda este ano, eu planto coentro no meu quintal, juro!
¹ das 7h do 1º de fevereiro às 6h do dia 2,
o pluviômetro da Base IGARUANA registrou 18mm/m² de chuva.

domingo, 3 de janeiro de 2016

[Vale do Assu em canoa] Piratas existem de verdade?


Quando voltei do rolezinho, ontem, pro porto das canoas do Sítio Araras, ainda fiquei um tempo lá na margem.
Primeiro, depois de ter tirado colete, chapéu e bandana, tomei um bom banho refrescante. Nadei até um barquinho, apoitado num tronco de arvore semi-submerso pouco distante, e fiquei admirando os restos descascados de varias pinturas sobrepostas nas tábuas de madeira.
Por questão de praticidade, desde quando a estiagem afastou a margem do rio da vila, os pescadores locais estão abrigando suas canoas perto da descida pro rio do restaurante Chico Felix. Assim pouco depois apareceram alguns frequentadores do restaurante para tomar banho de rio.
Os primeiros foram quatro jovens de Mossoró, que deixaram as namoradas no restaurante e só ficaram contando vantagem uns pros outros o tempo todo. Me afastei um pouco, para não escutá-los sem querer.
Quando os quatro amigos foram embora, voltei para perto da canoa e comecei as manobras para pôr em seco a embarcação e depois amarra-la no carrinho. A margem cheia de pedras requereu a máxima atenção.
De longe, vi uma inteira grande família sertaneja, com representantes de quatro ou cinco gerações, que almoçaram no Chico Felix, descer pro meu lado: Na frente, destacando-se do grupo, três pirralhos chegaram correndo, um menino e duas meninas, alguns minutos antes dos outros.
Quando chegaram perto da margem, me senti em dever de avisá-los:
- Cuidado! Não entrem no rio sozinhos, esperem os adultos chegarem; pois pode ser perigoso", disse.
Os meninos pararam de correr a uns dois metros da margem e começaram a olhar pra todo lado.
Aí, uma das duas meninas veio perto de minha canoa e me perguntou, assim, do nada:
- Você é um pirata? -
Por um momento, rindo dentro de mim, fiquei pensando qual resposta seria mais apropriada e, na dúvida, fiz apenas um sorriso pra menina.
- A-hã! - ela disse, então, e...
- Eu sabia que os piratas existem de verdade! - confirmou consigo mesmo e ficou me estudando, curiosa, por um meio minuto, em silencio.
Eu continuei sem dizer nada e, logo depois, a atenção da menina foi chamada pelo grito do amiguinho:
- Vem ver! vem ver... encontrei um peixe! - e correu pra lá.
Eu voltei ao meu trabalho.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

[meu sertão] Sobre alimentação



Já fazia tempo que eu vinha ruminando esta ideia de adequar a alimentação à minha idade, necessidades e expectativas.
No fim do março passado, aproveitei para dar o chute inicial à ideia, saindo por uma expedição solitária em canoa de cinco dias, sem carregar carnes, embutidos etc.
Naqueles dias, comi ovos, queijo e, um dia, aceitei um peixe, oferecido por um pescador, que preparei ensopado.
Quando voltei em Pipa, me decidi a tornar-me ovo-lacto-vegetariano. No começo, comi bastante ovos e queijo, por que achava que fosse preciso substituir a carne com um ou outro. Depois fui acertando as coisas, lidando principalmente com a grande limitação de poder comprar só o que estiver à venda, seja em Pipa que no sertão.
Uma mudança importante que veio junto com a abolição da carne, foi eliminar do meu cardápio todas as porcarias! Salgados ou doces, todos os produtos industrializados foram eliminados. Para isso funcionar bem, existe só um método: não comprar e levar pra casa porcarias!
Assim fui substituindo todas as porcarias, que comia sem pensar muito, com fruta; principalmente uva, na Pipa.
Aqui no sertão tenho uma produção própria de acerola e umbu-cajá, que se prestam muito para uma das minhas atividades preferidas: beliscar na rede, lendo um bom livro.
Não sou nutricionista, nem adepto de nenhum movimento a favor do vegetarianismo. por isso, não acho que a minha alimentação seja melhor daquela de ninguém, tampouco quero ser um exemplo.
Escrevi esta nota, apenas para matar a curiosidade de uns amigos, que ficaram me perguntando...

Atualmente, dezembro de 2015, no sertão do Vale do Assu, estou me alimentando no dia-a-dia, consumindo os seguintes produtos:

Abobrinha
Alho
Batata doce
Batata inglesa
Berinjela
Cebola
Cenoura
Coentro
Couve
Pimentão
Repolho
Tomate

Arroz integral
Macarrão para sopa¹

Feijão preto¹
Feijão verde²
Grão-de-bico²
Lentilhas¹

Farinha de mandioca
Milho para pipoca¹
Tapioca

Peixe (tucunaré, ou tilápia)³

Ovos caipira³

Castanha de caju

Queijo manteiga artesanal²
Queijo coalho artesanal

Azeite de oliva
Manteiga da terra²

Acerola
Banana
Laranja
Melão
Umbu-cajá
Uva

¹ uma vez por semana
² uma vez a cada quinze dias
³ uma vez por semana, às vezes duas, outras nenhuma

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

[meu sertão] Um domingo tranquilo


Que preguiça bateu hoje, gente! Montei todo o esquema da oficina por baixo do imbuzeiro, mas até agora, nada de concreto.
Domingo super tranquilo, o vizinho está de boa hoje: estamos escutando Zé Ramalho, por enquanto... rss
Acordei cedo e passei de uma rede pra outra. A sensação que tenho é que hoje não vou fazer nada mesmo, tiradas as tarefas cotidianas, que não posso deixar de executar...
Ontem, teve a "festa do osso" para as cadelas, e depois saímos por um rolé selvagem até a Pedra do Elefante... as doidonas botaram pra correr todo bicho que encontramos !!! kkk
A Pedra do Elefante ficou tão longe da margem, que nem banho de rio tomamos. Com meia lua no céu, dá pra curtir uma caminhada noturna numa boa! Voltamos pelo caminho comprido e entramos em casa pela porta principal.
Acordei com vontade de dar uma pedalada até o Paraú, tomar banho de rio num lugar diferente, mas depois pensei que é melhor deixar para ir lá amanhã, quando não vai ter ninguém mesmo no local.
Acho que vou cozinhar só à noite hj... tô cheio de fruta, e vou comer uma tapioca quadrada que comprei sexta na praça. Melhor que comprar goma pra mim, é comprar duas dessas tapiocas grandes, que vende uma mulher na praça nova, e guardar num saquinho de plástico. Dura três dias numa boa, fora da geladeira, digo. Na geladeira deve durar uma semana.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

E o sorriso da Lua, gente ?! Desliguem TVs e PCs e apreciem um pouco o céu


E o sorriso da Lua, gente ?!
Desliguem TVs e PCs e apreciem um pouco o céu

Posso estar ficando é velho... mas nunca vou ficar careta!


É... foi massa mesmo, ontem. Eu dormi na rede por baixo do imbuzeiro, agasalhado em meu poncho vermelho. Acordei por volta das 4h30. Tomei café rapidamente e sai para dar uma volta com as quatro cadelas, Cherepa, Branquinha, Cabeça e Olhinho. Na beira do rio, tomei aquele simbólico banho de água geladinha e depois seguimos caminhando por um pedaço, até um penhasco onde as cadelas se divertem muito a pular de pedra em pedra, correr atrás dos lagartos etc...
Harmonia celestial, nenhum barulho, nem de longe, bem baixinho. Só o vento e o canto dos passarinhos. Ai sim, tomei um bom banho demorado; fiquei boiando e viajando em todas as coisas que se pensam num momento desse. Finalmente as cadelas vieram tomar banho também e foi aquela algazarra.
Quando deu umas 9h, voltamos pro Sítio Araras, onde chegamos depois das dez e meia, pois voltamos bem devagar. parando ora aqui ora ali.
A caminhada foi grande, como escrevi ontem.
Chegados em casa, as quatro cadelas comeram e desmaiaram na sombra, onde permaneceram o resto do dia. Só se animaram à noite, quando bateu de novo a fome.
Eu fiquei naquela: colhi um bocadinho de fruta das arvores, fiz um café, escolhi uns três, quatro livros... e passei a tarde na rede, lendo e beliscando a fruta; escutando e olhando os passarinhos, cantando na sombra do imbuzeiro.
Cozinhei um arroz com legumes só à noite.
Comi e dormi cedo.
Já hoje, segunda, acordei cedo, mas o programa foi diferente...
Tomei café, peguei a bicicleta e fui pedalando até Itajá. Lá peguei um táxi coletivo e fui até Assu. No Assu, levei minhas botas pro sapateiro, depois fui procurar comprar na madeireira umas tábuas para construir uma estante para todos os livros que trouxe no sertão nesta minha última vinda. Caminhei pra caramba, do centro pra madeireira e, na volta, carregando as tábuas no ombro.
Pesquisando em varias lojas de material de construção, consegui comprar uns tantos grampos de marceneiro ("sargentos") dos quais estava precisando. Paguei a conta da energia, comi um pastel de queijo ao forno e tomei um suquinho de caju. Sem perder tempo, peguei um táxi coletivo de volta para Itajá, voltei pedalando pra casa. Às 11h já estava em pé ao lado do tanque, tomando aquele banho de cuia refrescante!
Que bom! Agora estou com material e ferramenta para realizar um bocadinho de serviços que viviam pendurados na lista das coisas pra fazer.