domingo, 30 de agosto de 2009

Três anos de Leitura na Praça

Cíntia, Sandrinha e Marizé têm a grande satisfação pessoal de começar a comemorar hoje, junto às crianças de Pipa, os três anos de atividades do projeto Leitura na Praça, criado no julho de 2006.
A comemoração vai ser repetida nas próximas semanas também no Umari, em Piau e Sibaúma, os outros distritos do município onde as três mulheres mais interagem com a população infantil.
O projeto Leitura na praça no município de Tibau do Sul não nasceu por acaso. Já desde 2003 Cíntia Junqueira, consciente da total falta de acesso à leitura por parte da maioria da população da região, vem tentando implantar uma biblioteca itinerante que possa visitar periodicamente todos os distritos do município e emprestar gratuitamente livros de todos os gêneros para a população carente. À procura de patrocínio no 2005 o projeto da biblioteca ambulante foi apresentado ao Banco do Nordeste, mas entre muitos não foi escolhido.
Após uma momentânea desilusão, a boa vontade voltou à tona e Cíntia decidiu agir de qualquer forma. No fim de maio de 2006, ela chamou alguns amigos para uma reunião e a partir desta data, formado o núcleo ativo do grupo, o projeto Leitura na Praça vem crescendo, ao mesmo tempo sendo reelaborado, quando for necessário, e executado.
A primeira atuação do grupo foi no dia 16 de julho do mesmo ano, na praça da Pipa. Desde então o objetivo do projeto pode ser assim resumido: estimular e divulgar a leitura entre os jovens do município de todos os níveis sociais em idade escolar e pré-escolar.

Foram três anos difíceis, com as complicações e os desenganos alternando-se à satisfação de estar agindo a nível social realmente e não só conversando sobre isso. Conheceram de perto situações de precariedade que nem imaginavam; assistiram a fatos que deixaram marcas indeléveis dentro delas; mas não desistiram... criaram uma com a outra a coragem, a paciência e a boa vontade de continuar no caminho certo.
Nestes três anos muitas coisas aconteceram: os colaboradores foram mudando, o acervo literário crescendo, a organização aprimorando-se.
As três mulheres são um raro exemplo de dedicação e eficiência no nosso município: ao contrario de muitos membros de associações comunitárias locais, que perdem tanto tempo se reunindo e conversando, conversando, conversando sobre os mais interessantes temas, mas agindo muito pouco, Cíntia, Marizè e Sandrinha nunca pararam. Ao longo dos três anos foram mais de cinquenta os encontros com a juventude local.
Com o passar do tempo o acervo literário foi crescendo e alguns reconhecimentos chegando.
A biblioteca comunitária Book Shop Pipa foi declarada pelo Ministerio de Educação e Cultura (MEC) Ponto de Leitura, assim vai receber brevemente mais livros e um computador. A Fundação José Augusto de Natal também reconheceu o valor do projeto e ofereceu um pequeno prêmio de 2mil reais. Com este dinheiro e parte do acervo literário disponivel, as três mulheres estão pensando em fundar uma biblioteca comunitária em Sibaúma, bem no meio da praça principal.
O projeto “Leitura na praça” não tem rabo preso por ninguém e conta somente com o apoio não vinculado de alguns comerciantes locais que arcam o custo dos lanches e outros pequenos gastos.
Todos os interessados a colaborar de alguma forma para um bom êxito deste campanha para estimular as crianças à leitura, podem entrar em contato com Cíntia escrevendo para cintiabook@yahoo.com ou simplesmente indo na biblioteca comunitária Book Shop Pipa, na rua dos Bem-te-vis, travessa da rua principal aqui na Pipa.

domingo, 16 de agosto de 2009

Play it loud !!!

Meu nome é A, sou brasileira de Curitiba e a alguns meses moro na Pipa, sou advogada, tenho espirito crítico e resolvi estabelecer-me aqui.
Existe um restaurante muito conceituado que se chama [omissis], que deve ser muito MAL administrado, porque todas as tardes seus funcionários transformam o mesmo em uma sucursal da Igreja Universal do Reino de Deus, e, em um ato de desespero colocam péssimos hinos evangélicos a todo volume, ao ponto de todos aqueles que passam terem de tapar os ouvidos..
Com certeza estas pessoas nunca irão comer ai por a noite por pensarem que se trata de mais uma empresa do bispo EDIR MACEDO.

Tenho dito.
Até a próxima.
A.



Bom dia, Amiga
não tenho ainda o prazer de conhecé-la e espero num próximo futuro encontrá-la para trocar ideias sobre morar na praia da Pipa, pro e contra.
Com certeza teremos muito para falar.

Ao ler sua mensagem, a única novidade na qual reparei é a sua presença na cidade, pois pelo resto tudo me parece bem normal.

Não sei a Curitiba, de onde você vem, mas pelas minhas andanças no Brasil sempre deparei nesse inconveniente que é o som alto; mudando os estilos (forró, reggae, sertanejo, axe, rock, brega ou qualquer outro), sempre tem pelo menos uma pessoa mal educada levantando o volume demais !!!

No verão, quando a Pipa está lotada de turistas, você vai ver o que é bagunça !!!
Dos carros, das casas, de pequenos e poderosissimos carros-de-som, que vendem CDs e vídeos piratas até na praia, se levanta o som de tal forma que, mesmo se for música boa, fica desagradável.
Mas como já disse: isso acontece em qualquer canto, não é uma caracteristica exclusiva da Pipa.

Já o volume do chamado religioso é outro assunto sério !!!
Me lembro de quando, ainda criança, ia passar alguns dias de verão numa casa de campo no meio do nada, num vale verde e bonito. Lá na Italia... lembranças já antigas.
No meio da natureza, a gente curtia aquele som ambiente bucólico, que não é o silencio, mas nunca incomoda. Bom...
No domingo de manhã, improvisamente a tranquilidade era rasgada pelo som que saia das cornetas montadas na torre da igreja... não sei dizer quanto longe, mas longe.
Assim, quem estivesse naquele vale, querendo o não querendo, ia escutar toda a missa e receber a bençao do deus todo-poderoso.
Nada é novidade como pode ver.

Não sei se foi o consumismo, a globalização, ou sei lá o que, mas a religião virou um negócio popular nas últimas decadas. Não precisa ter mais milenios de passado religioso!!!
Você também pode criar sua própria igreja, se quiser...
Aqui na Pipa o negócio religioso está em alta este ano!!!
Enquanto os comerciantes se queixam da chuva e da temporada fraca, os novos ministros de tantas fés prosperam, constroem e trocam de carro à toda hora.
Agora virou chique ir de gravata no templo... acho um pouco extravagante nesse clima tropical. Mas, como moderno povo eleito, talvez eles usem essa gravata para ser reconhecidos no dia do juizo final !!! Não sei...

Quanto ao restaurante que você citou, não sei o que dizer, sinceramente. Confesso que, passando lá na frente à tarde, reparei mais de uma vez com o volume bem mais alto do usado durante o expediente; mas reconhecer a música como evangelica, assim como você disse, eu não cheguei a fazer.

Acredito que o simpatico amigo T, administrador do restaurante, não saiba nada disso, e por esta razão envio pra ele cópia da sua queixa e da minha resposta.

Minha proposta para resolver o problema aqui na Pipa é clara e unívoca: aplicar as multas e sequestrar os aparelhos de quem ultrapasse o volume consentido por Lei !!!
Qualquer que seja a fonte do barulho.
A Polícia Ambiental fica fiscalizando os bares da rua principal; legal. Mas deveria também medir o volume desses cultos religiosos. E, principalmente, sequestrar os aparelhos dessas casas de veraneio que se transformam em boates 24h, atentando à quiete pública durante toda a temporada. Digo sequestrar para evitar aquela coisa de sempre: a Polícia vai embora e o volume levanta de novo.

Considerada a sua profissão, sugiro-lhe, se tiver vontade de aplicar parte de seu tempo para o bem da comunidade, prestar assistência legal para uma associação comunitária que precise disso, como o Núcleo Ecológico da Pipa ou o Conselho Comunitário, dois grupos que lutam a muitos anos sem tantos recursos; a ajuda de um advogado seria ótima e poderia transformar completamente a atuação deles.

Escrevi muito, por que, afinal das contas, um simples acontecimento levantou mais de uma problematica social. Mas espero ter satisfeito suas expectativas, quando decidiu inserir-me entre os destinátarios de sua queixa.

Tudo de bom pra você, amiga.
Tchau.

sábado, 8 de agosto de 2009

Retirada domiciliar de lixo

Minha cadela Cabrita também morreu. Agora o negócio é barra pesada. No meu jardim, sem portão, sem muro alto, entra quem quiser...
Ontem decidi jogar fora um montão daquele entulho que todo mundo sempre acaba acumulando em algum canto pouco frequentado da casa. Quero transformar uma área de serviço coberta, que tenho atrás da cozinha, numa oficina, assim preciso de espaço.
Tem um aparelho TV que não presta faz anos, coleções de revistas atacadas pelos cupins, brinquedos quebrados sem conserto, pedaços de madeira, qualquer coisa, enfim...
Levei um bocado de lixo no posto de coleta na rua em sacos de plastico preto; deixei por cima de uma mesinha na varanda os objetos que ia colocar, para despensá-los sem perigo, numa caixa de papelão: entre varias coisas, um estabilizador e um ventilador sem conserto.
O ventilador é o do quarto dos hospedes, que alugo no verão, e a maresia tomou conta do aparelho. Não quis jogar fora na hora e joguei fora ontem... mas não foi necessário levar até o posto de coleta.
Enquanto estava na rua à noite, algum desses vagabundos "pedreiros"¹ que andam por aqui, não sendo recebido pelos latidos das cadelas, criou coragem e subiu a escada. Assim acabou se transformando, sem saber, de "pedreiro" em "gari", porque carregou foi lixo...
Finalmente a Prefeitura poderá afirmar sem erro que na praia da Pipa acontece a "coleta seletiva" do lixo !!!
eh eh eh


¹ Não sei se for comum ou não, mas aqui na Pipa estamos chamando de "pedreiro" (entre aspas, também falando) as pobres almas que fumam crack !!!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

News a pagamento na web

A época das noticias gratis na rede está para terminar. A News Corp. de Rupert Murdoch, colosso da editoria mundial, começará a cobrar acesso a todos os sitos web do grupo.
Segundo o empresario, muitos outros vão fazer o mesmo no embalo.
De um lado acho muito bom que as noticias desse grande grupo editorial não cheguem tão facilmente na tela de todos: na maioria dos casos é noticia ruim e cheia de má energia.
Guerras. Desastres. Desgraças. Doenças. Corrupção. Fome. Morte. Mortos...
Em grande quantidade isso faz mal á saúde.
Por outro lado acho ainda melhor: o importante é manter a Rede livre e aberta; se os tubarões, só pensando no dinheiro, limitam o acesso às próprias news, nós teremos mais espaço para fazer nossa saudável e fundamental contra-informação. eh eh eh ...
Quando devo mesmo saber o que passa no resto do planeta, dou primeiro uma checada no web site da Mídia Independente: indymedia.org.

domingo, 2 de agosto de 2009

Não é muito, mas é f... !



Depois muito tempo passado em vão fuçando na web, hoje encontrei, quase por acaso, publicado no Youtube: "Não é muito, mas é Mário", curta-metragem do amigo Eddy Polo Lira Junior, verdadeiro cult-movie da praia da Pipa, rodado na Fazenda Bom Jardim em Goianinha e numa casa de taipa na Pipa, no ano 2000; vídeo praticamente inédito que narra a visita do escritor Mário de Andrade nesta região. A produção independente e sem muitos recursos financeiros foi ideada e planejada no Book Shop Pipa numa época na qual tinha me afastado desse lugar por outras razões; portanto foi só depois que Eddy e eu ficamos amigos que me interessei mais à coisa.
Só para lembrar um pormenor, me recordo que naquele ano 2000 fui contatado por Bruno Barbalho, também ele envolvido no projeto, que me pediu para realizar, a título meramente gratuito, um retrato de Mário de Andrade, que executei rapidamente no meu estilo "cartoon", com um cigarro meio torto na boca, e entreguei pra ele na minha casa, sem participar ativamente dessa produção em momento nenhum.
Que pena... penso agora.

Diretor da película foi o pernambucano Eddy Polo Lira Junior, que tinha já participado de algumas produções cinematográficas independentes no Recife, numa das quais como cenógrafo.
O titulo do filme foi sugerido pelo linguista alemão Ulli Raab, naquela época professor da Cultura Inglesa em Natal.
O papel de Mário de Andrade foi interpretado por Jesus Esopo, antigo morador de Pipa, proveniente do Pais Basco. Ele contracenou com o escultor potiguar Jordão de Arimateia, que desempenhou o papel de um bruxo, a quem Mário de Andrade procura em suas pesquisas sobre o candomblé.
Cameraman do filme foi o uruguaio Ernesto Gillman e contra-regra o paraense Eder Jofre Guimarães, outro morador de Praia da Pipa há mais de uma década. As filmagens na Fazenda Bom Jardim em Goianinha contaram com a presença especial do maquiador Amaro Lima.
O italiano Giovanni Palmerio filmou com uma handy-cam os bastidores de "Não é muito, mas é Mário" registrando todas as etapas da produção. Entre os muitos amigos e conhecidos que participaram das filmagens, ao assistir pela primeira vez à obra desaparecida, reconheci: Pablo Bracchi, Jorge Curvelo, os capoeiristas Jean e Pipaline, o pescador Carioca, João Doido e muitos outros... homens, mulheres, jovens... nativos, estrangeiros... queria, aliás, que quem se reconhecer no filme, dissesse pra mim, por favor.


O filme foi apresentado ao publico uma única vez no telão do Garagem Bar&Co na praia da Pipa. Depois disso um foi pra lá, outro acolá, o uruguaio voltou pra casa. E o tempo foi passando.
Alguns meses depois Eddy Polo, ingênuo como poucos do tamanho e idade dele, entregou a sua única cópia do filme para um conhecido seu, que a levou pro RJ e alí a perdeu. Quando Eddy me contou isso, inconformado com o acontecido, pelo e-mail comecei a procurar entrar em contato com Ernesto, que tinha outra cópia do filme. Nunca obtive resposta alguma.
"Não é muito... mas é foda!!" exclamamos ao uníssono Eddy e eu, quando hoje disse pra ele que o filme foi publicado na web como se fosse do próprio Ernesto.
Mas o prazer de assistir finalmente o curta foi bem maior que qualquer desgosto.
Assim Eddy me disse que brevemente pretende entrar em contato pessoalmente com Ernesto Gillman, para obter uma cópia do material original e poder finalmente realizar, como sempre quis, uma versão do curta-metragem de apenas um minuto de duração, para apresentá-lo no festival dedicado.
Vamos ver no que vai dar...

Leia mais sobre "Não é muito, mas é Mário" no website ECA13

O Cerbero de Eddy Polo continua sendo noticia

Vem aí uma nova matéria sobre o Cerbero de Eddy Polo, que apareceu ontem no Jornal do Commercio de Recife, assinada por Pedro Romero.

POMBOS – Uma escultura tem chamado a atenção de quem passa pela BR-232, em Pombos, Agreste pernambucano. Não são poucos os que param para tirar fotos ao lado da figura de um cão de três cabeças, todo em ferro, com cerca de três metros de comprimento e 800 quilos. A peça retrata Cérbero, criatura da mitologia que guardava a entrada do Hades, reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem, e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem. Da rodovia é possível ver enormes cavalos de madeira e outras esculturas feitas pelo artista Eddy Polo Lira, 46 anos, que vive e trabalha na Fazenda-ateliê Santa Clara.
A escultura do Cérbero foi feita há 12 anos e já ficou exposta no Recife e nas ruas da Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte. “O interessante é que nenhum cavalo passa perto dele, eles se assustam”, diz Eddy Polo.
Uma das que se impressionaram com o Cérbero foi a empresária Samanta Cavalcanti, 38, moradora de Gravatá, na mesma região. “Passei por lá de madrugada com uns funcionários. Paramos o carro, batemos e chutamos a estátua. Só não jogamos fora porque era muito pesada. Pensei que era coisa do mal”, lembra. Mesmo depois de saber da relação da obra com a mitologia, a empresária evita olhar quando passa pelo local.
A maioria, entretanto, vê a estátua com bons olhos. É o caso do funcionário público Gildo Ribeiro, 32, que parou para tirar fotos dos filhos ao lado do Cérbero de ferro. “A escultura mostra a habilidade do artista com o material.” Para o motorista Josué Gomes de Andrade, 22, que mora nas proximidades, a obra provoca estranheza. “É bem feita e chama a atenção.”
O cachorro de três cabeças é uma das obras do artista. Dentro da fazenda, Eddy Polo trabalha, desde março, na construção de um cavalo em madeira de quase quatro metros de altura e 3,5 toneladas. “Será minha obra-prima, deve estar pronta em dois meses. Minhas obras são polêmicas, mas vou produzir o quê? santinhos?” Os trabalhos são feitos sob encomenda e, segundo o artista, os pedidos são muitos.
Uma das que se renderam ao talento de Eddy Polo foi a prefeita de Pombos, Jane Povão. No começo, ela fazia parte dos que queriam destruir a imagem. “Não é uma obra para se gostar, mas é interessante.”
A prefeita consolidou projetos de fazer um centro de artesanato às margens da BR-232 e construir “o maior abacaxi do mundo”, produto mais cultivado no município.

Eita, Eddy... você arranjou o maior abacaxi do mundo!!!
Cuidado, meu amigo...