quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

[meu sertão] Sobre alimentação



Já fazia tempo que eu vinha ruminando esta ideia de adequar a alimentação à minha idade, necessidades e expectativas.
No fim do março passado, aproveitei para dar o chute inicial à ideia, saindo por uma expedição solitária em canoa de cinco dias, sem carregar carnes, embutidos etc.
Naqueles dias, comi ovos, queijo e, um dia, aceitei um peixe, oferecido por um pescador, que preparei ensopado.
Quando voltei em Pipa, me decidi a tornar-me ovo-lacto-vegetariano. No começo, comi bastante ovos e queijo, por que achava que fosse preciso substituir a carne com um ou outro. Depois fui acertando as coisas, lidando principalmente com a grande limitação de poder comprar só o que estiver à venda, seja em Pipa que no sertão.
Uma mudança importante que veio junto com a abolição da carne, foi eliminar do meu cardápio todas as porcarias! Salgados ou doces, todos os produtos industrializados foram eliminados. Para isso funcionar bem, existe só um método: não comprar e levar pra casa porcarias!
Assim fui substituindo todas as porcarias, que comia sem pensar muito, com fruta; principalmente uva, na Pipa.
Aqui no sertão tenho uma produção própria de acerola e umbu-cajá, que se prestam muito para uma das minhas atividades preferidas: beliscar na rede, lendo um bom livro.
Não sou nutricionista, nem adepto de nenhum movimento a favor do vegetarianismo. por isso, não acho que a minha alimentação seja melhor daquela de ninguém, tampouco quero ser um exemplo.
Escrevi esta nota, apenas para matar a curiosidade de uns amigos, que ficaram me perguntando...

Atualmente, dezembro de 2015, no sertão do Vale do Assu, estou me alimentando no dia-a-dia, consumindo os seguintes produtos:

Abobrinha
Alho
Batata doce
Batata inglesa
Berinjela
Cebola
Cenoura
Coentro
Couve
Pimentão
Repolho
Tomate

Arroz integral
Macarrão para sopa¹

Feijão preto¹
Feijão verde²
Grão-de-bico²
Lentilhas¹

Farinha de mandioca
Milho para pipoca¹
Tapioca

Peixe (tucunaré, ou tilápia)³

Ovos caipira³

Castanha de caju

Queijo manteiga artesanal²
Queijo coalho artesanal

Azeite de oliva
Manteiga da terra²

Acerola
Banana
Laranja
Melão
Umbu-cajá
Uva

¹ uma vez por semana
² uma vez a cada quinze dias
³ uma vez por semana, às vezes duas, outras nenhuma

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

[meu sertão] Um domingo tranquilo


Que preguiça bateu hoje, gente! Montei todo o esquema da oficina por baixo do imbuzeiro, mas até agora, nada de concreto.
Domingo super tranquilo, o vizinho está de boa hoje: estamos escutando Zé Ramalho, por enquanto... rss
Acordei cedo e passei de uma rede pra outra. A sensação que tenho é que hoje não vou fazer nada mesmo, tiradas as tarefas cotidianas, que não posso deixar de executar...
Ontem, teve a "festa do osso" para as cadelas, e depois saímos por um rolé selvagem até a Pedra do Elefante... as doidonas botaram pra correr todo bicho que encontramos !!! kkk
A Pedra do Elefante ficou tão longe da margem, que nem banho de rio tomamos. Com meia lua no céu, dá pra curtir uma caminhada noturna numa boa! Voltamos pelo caminho comprido e entramos em casa pela porta principal.
Acordei com vontade de dar uma pedalada até o Paraú, tomar banho de rio num lugar diferente, mas depois pensei que é melhor deixar para ir lá amanhã, quando não vai ter ninguém mesmo no local.
Acho que vou cozinhar só à noite hj... tô cheio de fruta, e vou comer uma tapioca quadrada que comprei sexta na praça. Melhor que comprar goma pra mim, é comprar duas dessas tapiocas grandes, que vende uma mulher na praça nova, e guardar num saquinho de plástico. Dura três dias numa boa, fora da geladeira, digo. Na geladeira deve durar uma semana.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

E o sorriso da Lua, gente ?! Desliguem TVs e PCs e apreciem um pouco o céu


E o sorriso da Lua, gente ?!
Desliguem TVs e PCs e apreciem um pouco o céu

Posso estar ficando é velho... mas nunca vou ficar careta!


É... foi massa mesmo, ontem. Eu dormi na rede por baixo do imbuzeiro, agasalhado em meu poncho vermelho. Acordei por volta das 4h30. Tomei café rapidamente e sai para dar uma volta com as quatro cadelas, Cherepa, Branquinha, Cabeça e Olhinho. Na beira do rio, tomei aquele simbólico banho de água geladinha e depois seguimos caminhando por um pedaço, até um penhasco onde as cadelas se divertem muito a pular de pedra em pedra, correr atrás dos lagartos etc...
Harmonia celestial, nenhum barulho, nem de longe, bem baixinho. Só o vento e o canto dos passarinhos. Ai sim, tomei um bom banho demorado; fiquei boiando e viajando em todas as coisas que se pensam num momento desse. Finalmente as cadelas vieram tomar banho também e foi aquela algazarra.
Quando deu umas 9h, voltamos pro Sítio Araras, onde chegamos depois das dez e meia, pois voltamos bem devagar. parando ora aqui ora ali.
A caminhada foi grande, como escrevi ontem.
Chegados em casa, as quatro cadelas comeram e desmaiaram na sombra, onde permaneceram o resto do dia. Só se animaram à noite, quando bateu de novo a fome.
Eu fiquei naquela: colhi um bocadinho de fruta das arvores, fiz um café, escolhi uns três, quatro livros... e passei a tarde na rede, lendo e beliscando a fruta; escutando e olhando os passarinhos, cantando na sombra do imbuzeiro.
Cozinhei um arroz com legumes só à noite.
Comi e dormi cedo.
Já hoje, segunda, acordei cedo, mas o programa foi diferente...
Tomei café, peguei a bicicleta e fui pedalando até Itajá. Lá peguei um táxi coletivo e fui até Assu. No Assu, levei minhas botas pro sapateiro, depois fui procurar comprar na madeireira umas tábuas para construir uma estante para todos os livros que trouxe no sertão nesta minha última vinda. Caminhei pra caramba, do centro pra madeireira e, na volta, carregando as tábuas no ombro.
Pesquisando em varias lojas de material de construção, consegui comprar uns tantos grampos de marceneiro ("sargentos") dos quais estava precisando. Paguei a conta da energia, comi um pastel de queijo ao forno e tomei um suquinho de caju. Sem perder tempo, peguei um táxi coletivo de volta para Itajá, voltei pedalando pra casa. Às 11h já estava em pé ao lado do tanque, tomando aquele banho de cuia refrescante!
Que bom! Agora estou com material e ferramenta para realizar um bocadinho de serviços que viviam pendurados na lista das coisas pra fazer.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Literatura de Cordel - Astronomia Indígena

A Editora IGARUANA lança uma nova coleção de publicações, no formato típico da literatura de cordel. O primeiro volume a ser publicado é "Astronomia indígena: o Setestrelo" de Jack d'Emilia, aventureiro e pesquisador, além de chefe das expedições IGARUANA.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Offline por dez dias [existe vida fora do feisbuk]


Qua 21 out 2015

Frete Pipa-Sítio Araras 450,00 R$.
Água mineral 20L 3,50 R$.

Saída de Pipa às 6h; chegada ao Sítio Araras às 10h30. Tudo ok na viagem; as quatro cadelas se comportaram bem e não tivemos imprevistos. Como sempre, após meses de ausência, a casa precisa de uma faxina geral. Comecei pelo banheiro, assim tomei também um banho refrescante. Pé de acerola cheio de fruta, imbuzeiro todo verde: funcionou meu sistema de irrigação automática. Risotto integral vegetariano ao curry. Na rede cedo para um bom sono reparador.

Qui 22 out

- pagar contas atrasadas
- comprar câmara pneu carro-de-mão
- fruta e verdura
- comprar uma enxada

Pedalando até Itajá:
Cosern 48,00 R$.
Xerox 1,00 R$.
Câmara pneu + enxada 38,00 R$.
Mercadinho 5,00 R$.

10 dias úteis para religação energia elétrica.
Internet em casa: 45,00 R$./mês - falar com Cesar Cabeção.
No calorzão da tarde, a única alternativa ao ficar na sombra, em local ventilado, é inventar alguma atividade com a água, tipo lavar roupa etc...
Não acostumadas ao calor do sertão, as cadelas ficam arfando direto nas horas mais quentes. mas no clarão noturno, divertiram-se muito na caminhada que fizemos à beira-rio. Cabeça aproveitou para tomar banho e dar uma nadadinha. As outras apenas molharam as patas.
No jantar, risotto integral vegetariano, com a última abobrinha que trouxe de Pipa.

Sex 23 out

Bom demais acordar cedo e catar acerola do pé, para o café da manhã. Hoje foi um dia de arrumação e reflexão. Ainda não abri as caixas com os livros e a molecada já veio perguntar duas vezes desde cheguei, A casa está ainda muito suja, pois ficou invadida pela terra, trazida pelo vento, desde o abril passado. Ontem retirei a metade das teias de aranha, na casa de alvenaria,  e hoje vou terminar o serviço. O banheiro está limpinho, na casa de taipa só entrei uma vez. Os planos que tinha feito em Pipa sobre as reformas, logo que cheguei no Sítio Araras, mudaram substancialmente. O ponto de vista muda completamente, quando você vê as coisas de perto, ou de dentro mesmo. arroz com lentilhas no almoço, depois café, leitura e anotações, na rede, esperando o calor baixar.

comprar:
batata
batata doce
cebola
tomate
cenoura
alho
coentro
castanha de caju
pimentão
queijo coalho
banana

sabão em pó
sabonete
02 vassouras de palha

mercadinho 25,00R$.
café + tapioca 3,00 R$.

Breves considerações: no sertão, em geral. as hortaliças são menos caras que em Pipa, porém a variedade é menor. Pelo contrario,  as frutas, fora a banana, são mais caras. Não tem abobrinha, naturalmente, mas tampouco encontrei o couve, bastante comum em Pipa. O azeite de oliva mais barato é vendido exatamente ao dobro do preço que pago no mercadinho Padre Cícero. Este será um dos itens que seguirei "importando" de Pipa. rss
O mercadinho mais perto está a dois quilômetros da vila, mas tem uma variedade de frutas e verduras muito pequena. Tem que pedalar por quatro quilômetros para ir até o mercado grande, do outro lado da cidade. Ali, se fizer uma feira maior, tem direito à entrega domiciliar gratuita e até carona.
Agora que tenho de novo uma bicicleta aqui no sertão, posso ir e voltar do mercado pedalando, carregando as compras numa caixa de papelão, amarrada no bagageiro. Na volta, parei numa lanchonete nas praça, por um café com tapioca. Infelizmente, o café já veio adoçado, mas, pelo menos, a tapioca tinha manteiga de verdade, e não margarina.

Sab 24 out

Um sábado de muita atividade: jardinagem, limpeza da casa, lavagem de objetos de plástico, roupa suja, panelas empoeiradas. O terreno todo está cheio de lixo, jogado pelos vizinhos, ou trazido pelo vento. Vou ter que dedicar dois dias de trabalho nisso, mas cada coisa ao seu tempo; por enquanto, tenho outras prioridades. Todos os livros seguem encaixotados. A lista das coisas urgentes para fazer tem duas páginas cheias no meu caderninho. Na hora do pôr do sol, pedalada até o sangradouro da Barragem ARG: uma légua na ida e outra na volta, doze quilômetros. Neste dia, não gastei um tostão.

Dom 25 out

Meu consumo diário de água potável está em torno dos cinco litros, entre beber, café e cozinhar. acredito que hoje consegui atingir a árdua tarefa de tirar o 95% da terra que invadiu a casa durante minha ausência. Nas horas mais quentes, destinadas às atividades aquáticas, lavei o piso do quarto/escritório, Vou lavar o resto na casa amanhã à tarde. Pouco antes  do pôr do sol, quando ia sair por uma pedalada, descobri o pneu dianteiro da bicicleta furado. Abortada a pedalada, preparei um café e fiquei assistindo ao nascer da lua, deitado na rede, por baixo do imbuzeiro. na mesma rede, depois do jantar, deitei para dormir na silenciosa paz noturna.

Água mineral 20L 3,50R$.

Seg 26 out

Transporte para/de Assu 6,00 R$.
Tampa relógio Cosern 25,00 R$.
Ração cachorro 2kg 10,00 R$.
Mercadinho 8,00 R$.

Como diziam os antigos romanos, "Zeus ajuda quem cedo madruga", rss. Acordei às 5h, tomei meu café da manhã, praticando birdwatching na rede. Me arrumei e sai de casa às seis horas em ponto. Invés de esperar pela carona do ônibus escolar, às 6h40, fui logo andando em direção à cidade. poucas centenas de metros depois, um motoqueiro buzinou e parou para me oferecer a carona. Como eu sempre digo, depois da saúde na vida, eu só quero é ter sorte. Às 6h30, na frente do mercadinho de Lourenço, subi num táxi coletivo [3R$./pessoa], quee numa meia hora nos conduziu na vizinha cidade de Assu, capital da microrregião que leva seu nome. Cheguei tão cedo no bairro do comercio, que muitas lojas estavam ainda fechadas. À terceira tentativa, consegui comprar o que estava procurando e fiquei mais tranquilo. Depois pesquisei o preço dos pneus novos para minha bicicleta e de um jarro de barro, com tripé de ferro, para guardar a água potável fresquinha. Deixei para comprar isso em outro dia. Entrei num mercado medio-grande e descobri que a maioria dos produtos à venda num mercado desses não me interessa. Comprei 1kg de arroz integral, 1kg de farinha de mandioca (pensando num pirão de peixe) e dois molhos de couve folha. Quando cheguei em casa, no Sítio Araras, ainda eram apenas as nove da manhã.
Segunda é dia da coleta do lixo: o caminhão passa só uma vez por semana aqui. Aproveitei para dar uma catada geral do lixo espalhado na rua, perto da minha casa. Depois aceitei o convite de Dona Socorro, mãe de Valdo e Pedrim, entre outros, e fui sentar na varanda da casa dela, para conversarmos um pouco e tomar um café. Sempre atenciosa comigo, dona Socorro fez um café novinho pra mim, sem açúcar.

Ter 27 out

Poucos fatos notáveis hoje: à tarde, encontrei um único fruto maduro de umbu-cajá e o comi, primeiro da temporada. À noite, fui dormir na rede pela primeira vez usando o poncho como agasalho. Legal.
Coisas do sertão. Morando a dois quilômetros do mercadinho mais próximo, 27 e 28 de outubro, mais dois dias sem gastar dinheiro.

Qua 28 out

Passam-se os dias, entre limpeza e arrumação, na Base Igaruana do Sítio Araras, vila de pescadores na margem direita do rio Assu, perto da Barragem ARG. O calor está grande nesta época do ano. Hoje as mulheres que saíram na rua  nas horas mais quentes, usaram uma toalha molhada na cabeça. Para mim, a partir das nove horas, é melhor dedicar-se a atividades na sombra. Hoje, por exemplo, me levantei à cinco, preparei o café, catei do pé uma caneca cheia de acerola e voltei pra rede por baixo do imbuzeiro. Às 6h, com chapéu de palha e luvas para jardinagem, realizei uma segunda e profunda despoluição da grande quantidade de lixo espalhado no terreno durante minha ausência. Desde comecei, já retirei dois baldes de lixo, dessas grandes lixeiras de rua, que enchi principalmente de plástico, latas não recicláveis, vidro quebrado. Acredito que com mais uma ou duas sessões de despoluição como a de hoje, o terreno ficará limpo. Quando o sol subviu no céu e o calor cresceu, comecei a trabalhar na sombra, alternando a jardinagem com lavagem de roupa e louça, na hota mesmo qur a água chega da rua. Também lavei, enquanto o almoço estava no fogo, o resto da casa que não tinha lavado outro dia, podendo declarar oficialmente que "a casa está bastante limpa agora". rss
Mais um dia sem energia elétrica, esperando a companhia vir fazer a religação. Iluminação noturna garantida pela lamparina à óleo que Demetrius Montenegro comprou na feira de São Rafael. Pro jantar, arroz e lentilhas com páprica e coentro. De novo, deitei na rede por baixo da arvore, utilizando o poncho como agasalho noturno. Entre as vantagens notáveis: proteção do frio também nas costas e boa mobilidade das mãos, continuando com o corpo coberto.

Qui 29 out

comprar:

batata
batata doce
alho
cebola
cenoura
tomate
berinjela
coentro
pimentão
queijo coalho
queijo ralado
ovos caipira
café
feijão preto
água mineral

sabão em pó
água sanitária
desinfetante
esponjas para louça
3 isqueiros

ração para cães
2kg de osso pra roer

brocas para furadeira

mercado Assis 54,00 R$.
água mineral 40L 6,00 R$.
10 ovos caipira 6,50 R$.
ração cachorros 4kg  21,00 R$.
2 latas de sardinha 5,40 R$.
3 brocas para furadeira 10,25 R$.
Conserto pneu furado 3,00 R$.

Fiat lux! Finalmente os homens da companhia vieram fazer a religação da energia elétrica. Acabou-se minha clausura nessa espera. Logo que o calor baixar um pouco vou pra borracharia e de lá pros mercadinhos etc. É dia de  fazer compras, contatos, pesquisas... Quem vende ovos caipira? Será que tem uma quitanda na cidade? Onde mora a mulher que faz chapéus de palha?
Pois foi. Às duas e meia, o vento norte começou a soprar com força e o calor baixou um pouco, Pedi pro seu Quincas encher com o compressor o pneu furado para poder ir pedalando até a borracharia. Assim fui e quando cheguei à borracharia, o pneu estava ainda durinho. O borracheiro me sugeriu ir resolver minhas coisas e deixar o conserto para mais tarde, alegando um "pode ser que foi só a válvula",  que não me convenceu muito. Assim peguei e fui dar um rolé na cidade, meio à-toa, descobrindo novas ruas e atalhos entre os bairros da cidade. Não descobri onde mora a mulher dos chapéus, mas consegui comprar ovos caipira. Amanhã vou comer uma tortilla, depois de uns dois meses que não comi mais ovos. Passando pela praça nova, me lembrei que não tinha almoçado e parei na padaria da esquina. Sem muitas opções para quem não come carne, frango ou outras porcarias, tomei um iogurte de ameixa e comi um risole de queijo ao forno, delicioso e com precinho popular, por estar a padaria ao lado do maior colégio da cidade. Finalmente consegui encontrar o tal Cesar provedor de internet, que marcou pro dia depois antes do meio-dia a instalação da antena e roteador em casa. Fiz a feira no mercado de Assis e pedi para entregar as compras em casa, juntas com dois garrafões de água mineral. No mercado de Lourenço, comprei 4kg de ração para as cadelas, duas latas de sardinhas para um lanche de emergência, e dois quilos de osso, para arrumar uma diversão às quatro cadelas, que passam o dia sem fazer nada. Quando estiver mais organizado, poderei dar umas caminhadas por ai com elas e até um rolé em canoa; vamos ver se alguma delas interessa-se na canoagem. rss
No caminho de volta, parei na borracharia para o remendo no pneu furado. Segui para casa pedalando, com aquele pôr do sol espetacular no fundo do imenso panorama sertanejo.



domingo, 11 de outubro de 2015

Tradicional passeio ciclístico Pipa-Sibaúma-Pipa

 
Tradicional passeio ciclístico Pipa - Sibaúma - Pipa
Percurso total de 18km
Domingo, 18 de outubro às 7h30
na Praça do Pescador
 
Blitz de limpeza
Roda de Capoeira
Jogos à beira-rio
Caldeirada de frutos de mar
Sorteio de uma bicicleta
 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Edição #7 da Revista IGARUANA disponível onLine

Expedições em canoa canadense e aventuras na natureza [nesta edição: Todo o cuidado é pouco, Expedição filosófica, A mandioca na Pré-historia do Brasil, Remadas noturnas e mais...]

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Astronomia indígena: o Setestrelo


Em nossas andanças pelos sertões do Vale do Assu, acampamos muitas vezes em locais distantes, isentos da poluição luminosa das grandes cidades, e com a total visão da abobada celeste, ora iluminada pela Lua, ora cheia de estrelas brilhantes.
Tivemos, assim, o prazer de apreciar em varias ocasiões as constelações e outros astros que aparecem nessa peculiar porção de céu visível no Vale do Assu, localizado na faixa sub-equatorial do continente, em torno dos 6º Sul.
Foi a observação do céu nessas noites sertanejas que impulsionou nossa curiosidade a procurar, na modesta biblioteca à disposição, informações sobre a cosmologia indígena e a astronomia pré-cabralina.
A astronomia sul-americana é bem inferior em fertilidade científica à da América Central. Os motivos são, em resumo: a falta de uma linguagem escrita e de um sistema de numeração, que permitisse o desenvolvimento de um calendário com o qual fosse possível marcar datas e ocorrências dos fenômenos astronômicos.
A ausência de conhecimento matemático impossibilitou que se criassem as mais elementares correlações astronometricas. Por outro lado, a falta de uma escrita contribuiu para que as lendas e os mitos, ao se desenvolverem, permitissem a criação de uma cosmologia em nada inferior à de qualquer outra civilização primitiva. Todos esses mitos, sejam eles de origem greco-romana, asiática ou americana, constituíam o principio simbólico do pensamento astronômico de cada povo.
Uma das características da cosmologia brasiliana é a representação no firmamento das particularidades terrestres. Quando não são heróis e deuses, é a imagem projetada da flora e da fauna local que povoa o céu. Para exemplificar isso, baste pensar que, ao lado de Pauí Pódole (Cruzeiro do Sul), pai do mutum, estão Camaiuá e Cunavá, respectivamente as estrelas Alfa e Beta do Centauro, uma vespa e uma planta trepadeira.
Foi a necessidade de medir o tempo através da determinação do retorno das épocas de chuvas e secas, que conduziu esses astrônomos elementares a observar o movimento dos astros e relacionar o aparecimento de certas estrelas, ou constelações, com as mudanças das estações.
Mesmo não tendo conhecimento maior do universo e da mecânica celeste, não sabendo calcular matematicamente os eclipses e as orbitas dos planetas, os indígenas brasilianos criaram uma cosmologia bem desenvolvida, a que não faltam explicações pitorescas sobre a origem das fases da Lua, os cometas, os meteoros, a Via-Láctea etc.
O mais importante agrupamento estelar que caracteriza o conhecimento dos aborígenes brasilianos, é o das Plêiades. Duas são as razões desta importância: a primeira, o fato das Plêiades constituírem um dos objetos de mais fácil identificação; a segunda relaciona-se com o fato que sua aparição no céu, em Junho, antes do nascer do Sol, no lado do nascente, indicava aos índios que, nesta época, tudo começava a se renovar e que em breve chegaria a primavera.
São muitas as lendas às Pleiades, popularmente conhecidas também como Setestrelo, por ser visíveis, a olho nu, apenas sete estrelas desse aglomerado celeste.
Uma lenda Caxinauá, colhida por Capistrano de Abreu, relata a história de um irmão solteiro, Boró, que trai o irmão casado, Macari, ao brincar com a linda esposa deste, Iriqui. Desprezada pelo marido, Iriqui pede a seis araras-canindés que a conduzam ao céu. Lá chegando, Iriqui e as araras se transformam nas Plêiades.
Para os índios Taulipangue, as Plêiades formam, com o grupo das Híades, a estrela Aldebarã e uma parte de Orion,a figura do perneta Jilicavaí, que tendo tido uma das pernas decepada pela esposa adultera, subiu ao céu. Antes de sua ascensão, Jilicavaí anuncia ao irmão e ao filho que seu desaparecimento anual seria o sinal do principio da época das chuvas.
Segundo o relato do general Couto de Magalhães, que coletou a lenda entre os índios Tocantins, a jovem virgem Ceiuci era a mãe de Jurupari, cujo pai era nada menos que Coaraci, o Sol. Coaraci encontrou em Ceiuci a mãe-modelo que deveria dar à luz o índio encarregado de modificar e corrigir os defeitos e males que assolavam o Mundo e, em particular, acabar com o domínio das mulheres sobre os homens. Depois de eliminar a influencia das mulheres, Jurupari estabeleceu uma série de cultos e festas sagradas proibidas ao sexo feminino. Caso ouvissem os cantos dessas festas, as índias morreriam imediatamente. Embora soubesse deste perigo, Ceiuci desobedeceu ao filho, procurou assistir a um dos rituais e acabou morrendo por isso. Não podendo restituir-lhe a vida, Jurupari conduziu a mãe para o céu, onde ela se transformou nas Plêiades.
No Vale do Assu, interior do Nordeste, terra dos tapuios, principalmente dos grupos linguo-culturais Tarairiú e Kariri, o simbolismo das Plêiades estava estritamente ligado ao mundo invisível dos mitos ancestrais.
Assim, para os Cariris, as sete estrelas das Plêiades representavam:
1) Badzé, o pai, Padzu, deus do fumo, das florestas e do sonho;
2) Poditã, o filho, Nhú, deus da chuva, das caças, da bonança;
3) Warakidzé, o companheiro, amigo, símbolo do grupo que luta ao lado, na defesa da terra e da tribo vizinha;
4) Popó, o irmão maior, eventual substituto do pai;
5) Birae, o irmão menor, símbolo da inconstância;
6) Croroabe, o irmão gêmeo, o amigo inseparável, símbolo da união entre tribos do mesmo grupo étnico;
7) Nhinhó, o deus que deu origem aos índios Cariris.
Todos os bisamus¹ cariris colocavam seus mistérios nas Plêiades e na constelação de Orion, moradia celeste do deus Poditã, herói civilizador do grupo étnico Kariri. O mito de Poditã estava cercado de mistérios e sutilezas, que deixaram muitos intrigados, pois tinham os indígenas como regra sagrada guardar os ensinamentos do deus, conservando segredos que jamais foram revelados a quem não era do mesmo grupo étnico.
Seja os Cariris que os Tarairiús começavam a contar o ano pelo nascimento das Plêiades, que nos sertões do Vale do Assu marcava o fim do inverno, estação da chuva, e a chegada da primavera, época de renovação da flora e da fauna.
Cantos e danças faziam parte dos cultos em honra do Setestrelo realizados pelos tapuios. Eram as arcaicas festas juninas, depois sincretizadas e inseridas no calendário religioso da igreja católica.
Segundo Marcgrave, quando os frutos silvestres já estavam na maior parte maduros, os Tarairiús saiam em romaria do acampamento principal, situado nas margens do rio Otschunoch (Assu), caminhando por dois dias até as cabeceiras do rio Quoauguho (Mossoró), onde realizavam cultos de adoração ao Setestrelo durante semanas. Câmara Cascudo confirma que, em 1689, tal Lima Pacheco recebeu em sesmaria 24 leguas na ribeira do Upanema, ou Mossoró, "principiando de uma penedia que está onde o rio nasce, a qual o gentio denominava Sete Estrelas".
Quando o rio Assu voltava ao seu leito, os Tarairiús dedicavam-se ao plantio do milho, jerimum, amendoim e fava, entre outros. Antes do plantio, havia umas cerimônias realizadas pelos feiticeiros, destinadas a propiciar a fertilidade do terreno; cerimônias que Jacob Rabbi descreveu em todos os pormenores no seu famoso relatório, dedicado ao conde Mauricio de Nassau, que foi a maior fonte de noticias sobre os Tarairiús para os cronistas da época.
O aglomerado estelar das Plêiades (M45) é visível perto da constelação do Touro. Alguns desavisados podem confundi-lo com a Ursa Menor, invisível no hemisfério austral, da qual é muito menor e está muito distante. Trata-se de um agrupamento estelar relativamente jovem, na ordem dos 30-40 milhões de anos, que dista aproximadamente 450 anos-luz da Terra.
Se a olho nu são visíveis apenas sete estrelas, com um telescópio elementar é possível contar mais de duzentos astros cintilantes. Mesmo assim, pela sua ampla extensão, o Setestrelo observa-se melhor com um bom binóculo, que com um telescópio.
Mas então, dito isto... olhos pro céu e boa visão!

¹ bisamu = curandeiro, feiticeiro, autoridade espiritual, mesmo que pajé (tupi)
Bibliografia
----------------
Bernard Pellequer: Pequeno guia do céu - 1991
Ronaldo de Freitas Mourão: Astronomia de Macunaíma - 1984
Olavo de Medeiros Filho: Índios do Assu e Seridó - 1984
João Baptista Siqueira: Os Cariris do Nordeste - 1978
Luís da Câmara Cascudo: Nomes da terra - 1968

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Trilha ITACOATIARA - Pedra Lavrada no Vale do Assu





Uma seleção de imagens capturadas durante a primeira trilha ITACOATIARA de 2015, na quarta-feira, 25 de março. 
Trilha sonora de Kevin MacLeod

Expedição Itacoatiara - Pedra Lavrada e Ruínas de São Rafael


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Revista IGARUANA #2



Edição #2 da revista onLine IGARUANA 
- Expedições em canoa canadense e aventuras na natureza -
[nesta edição: Expedição Caraú, Colete Salva-vidas, Mudanças climáticas no sertão, Vestígios do Vale do Assu de outrora, Fauna local e mais...]