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quarta-feira, 1 de abril de 2015
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Expedição Filosófica - 15 a 19 de junho de 2012
Como sempre na noite anterior à saida de uma expedição, não consigo dormir mais que poucas horas. Quando todo mundo esta já no sono mais profundo, eu ainda me levanto de vez em quando da rede ao lembrar-me de algo importante ou nem tanto, mas que não quero esquecer de carregar comigo e vou lá ver se já coloquei o tal objeto na caixa ou saco certo. Se não tenho outras preocupações, invento até de cozinhar um feijão para levar já pronto. Quando finalmente consigo ficar quieto, na maioria dos casos o dia ameaça amanhecer a qualquer hora e os galos andam cantando nos quintais das casas vizinhas.
Às 5h em ponto, enquanto acendia o fogo por baixo da água do café, apareceu Valdo para me ajudar a levar a canoa e toda a tralha à beira-rio. Para esta expedição utilizamos a canoa amarela A2.
Na últimissima hora, o segundo inscrito à expedição adiou sua participação para outra vez; de qualquer forma a gente, não querendo perder a ocasião, acabou saindo apenas em dois para mais uma aventura em canoa na Natureza, remando sobre as águas do rio Piranhas/Açu, sertão do Rio Grande do Norte.
Dada a ausência do segundo participante, ficou também na base IGARUANA do Sitio Araras um dos meus valiosos ajudantes, Valdo, escalado para esta expedição. Sobrou bastante serviço pra mim, afinal, mas isso também faz parte do jogo.
Carregada a canoa, dei as últimas indicações úteis ao único participante da expedição e zarpamos por volta das 6h e meia.
Não apenas saimos da baia abrigada onde fica o porto das canoas dos pescadores, o vento se manifestou com toda sua exuberância e logo começamos nossa aventura remando contra as forças da Natureza.
Stefano, 42 anos, um italiano que mora no Brasil há alguns anos, remou pela primeira vez na vida nesta expedição IGARUANA; apesar de não ter uma boa tecnica de remada, ele conseguiu dar conta do recado igualmente, enfrentando em duas ocasiões vento contrario e altas marolas parecendo um experiente canoeiro.
Céu azulão e nuvens brancas em movimento rapido, até a Itatinga fomos encarando o rio-mar pulando e deslisando de uma marola pra outra o tempo inteiro. Divertido mas cansativo: custou quase duas horas chegar até a enseada por baixo da grande pedra branca do topo da qual é possivel ter uma boa visão da região.
A parada na Itatinga é praticamente obrigatoria em cada expedição. Do Sitio Araras até lá eu fico estudando cada canoa e seus tripulantes, conferindo a distribuição do peso e o comportamento das pessoas. Nesta primeira parada, eu posso distribuir diferentemente a carga se for necessario e dar alguma sugestão pro pessoal.
Cada dupla de remadores precisa aprender a agir conforme sua posição na canoa. O proeiro, além de motor propulsivo, representa a visão da canoa. Ele deve enxergar eventuais obstaculos, como pedras e tocos de madeira submersos, em tempo útil para evitar uma perigosa colisão. Já quem está a popa da canoa é o jacumá: além de motor propulsivo, ele usa seu remo como leme para governar a canoa, corrigindo a rota quando for necessário e esquivando os obstaculos no meio do caminho.
A parada aos pés da Itatinga é também o momento certo para um primeiro lanche energetico: frutas, castanhas, mel, rapadura.
Do alto do rochedo, mostrei para Stefano a foz do afluente Carau, logo abaixo; as serras Branca e Jatoba, delineando-se no horizonte SE, e a Serra das Pinturas, na outra margem do rio. A serra de Jucurutu, distante 45km, parece uma piramide de longe.
Ao voltar ao remo, o vento baixou de intensidade e seguimos sem outras paradas até as proximidades do Campo O, onde Stefano se declarou exausto e convenimos parar e arranchar. O local é perfeito como acampamento: na areia fina é facil montar todas as barracas que quiser e tem arvores suficientes para nossas redes.
Stefano abraçou o mais puro estilo IGARUANA e preferiu dormir na rede ao longo de toda a expedição, deixando a barraca e toda outra parafernalia no saco estanque que foi e voltou fechado pro Sitio Araras. Dormir na rede não è pra todo mundo, pois è preciso saber deitar da forma certa para permitir o merecido descanso ao corpo.
Com a lona azul e uma corda esticada entre duas arvores criamos uma cobertura por baixo da qual consumimos nossa refeição na sombra.
Desde o transfer em ônibus pro sertão, Stefano propôs como temas de conversação assuntos existenciais e metafisicos. Eu aceitei o desafio e assim fomos discutindo ao longo dos dias sobre creacionismo, evolucionismo, deuses, homens e Natureza. Mas também sobre diferentes teorias de conspiração para o controle total do genero humano: massoneria, sionismo etc.
Depois de cincos dias de dialogo, tudo ficou possivel e nada certo.
Logo depois do pôr-do-sol, espetacular como sempre, comemos uma sopa de feijão verde e deitamos nas redes. Cansados dormimos logo.
Ao raiar do dia levantei e logo percebi que durante a noite nossos mantimentos foram atacados por algum animal que comeu a melancia inteira e mastigou parcialmente duas mangas e o abacate, frutas inocente e descuidadosamente deixadas soltas perto da canoa à beira-rio. Pensei nas cabras, mas quando levantamos o acampamento e estavamos prestes a zarpar, o verdadeiro culpado, um burrinho insolente, apareceu nas pedras e ainda zombou da gente, ralhando alto seu deboche. Que filho-da-mae!
Segundo dia sem vento: a superficie do rio parece um espelho escuro. Atravessamos o rio para outra margem e seguimos remando aos pés da Serra das Pinturas até aproximar-se do Sitio Mutamba. Um pescador local veio conversar com a gente e nos contou as novidades enquanto eu preparava o almoço: Zezinho foi deixado pela mulher e passa o dia bebendo; Antonio, já casado e com prole, engravidou outra mulher e foi morar com ela em Jucurutu. Depois da refeição descansamos um pouco e voltamos ao remo para chegar à grande aroeira do Campo M antes do pôr-do-sol.
Por baixo dessa grande arvore frondosa já me sinto como se estivesse em casa, talvez melhor. Armamos as redes, acendi o fogo. Primeiro o café, depois o jantar: frango caipira com legumes na panela de pressao. Delicia.
O Sitio Mutamba dista poucas centenas de metros, meio quilometro do nosso acampamento. Sábado à tarde. No único barzinho da vila, a galera está bebendo e "ralando o bucho" dançando forró. O barulho da farra se escuta de longe. Quando anoitece tudo para de repente e o silencio volta indisturbado. Boa noite.
O amanhecer no Vale do Açu é algo que mexe dentro da gente. De repente um primeiro claror muda a noite pro dia, depois aparece o sol no horizonte e toda uma faixa do céu fica da cor do ouro, cor que tinge também a água do rio, deixando o visual inesquecivel. São momentos como este que marcam positivamente nossa vida.
As 4h e meia já estou acordado. Com a maquina fotográfica na mão, vou documentando e vivenciando mais uma pura e simples maravilha da Natureza: o raiar do dia! A experiencia, contudo não seja mais uma novidade para mim, continua me emocionando bastante. Voltei ao acampamento só depois das 6h. Stefano ainda dorme na rede. Mexi nos restos da fogueira da noite anterior e com uns pedacinhos de lenha acendi o fogo sem precisar de fosforo. Quando o café ficou pronto, apareceu Josimar, agricultor local, para conversar um pouco comigo, pois já viramos amigos. A seca está braba e vai piorar, ele disse. Mesmo assim, com muita boa vontade e aquela valentia tipicamente sertaneja, Josimar levanta todo dia cedo para cortar o capim cultivado na vazante para alimentar seu gado, umas tantas vacas e uns cavalos que me olham suspeitosos por ter invadido a sombra da aroeira. Josimar perdeu quase todo o milho e o feijão plantados pela falta de chuva, mas conseguiu salvar a batata doce.
Finalmente Stefano acordou e logo depois ter lhe dado as boas-vindas o agricultor voltou ao trabalho.
Domingo preguiçoso: ficamos dialogando até o meiodia, enquanto o almoço lentamente cozinhava na panela de pressão.
Levantado o acampamento, fomos remando pro Sul até a ilha Timbaúba.
Do topo do alto penhasco, cheio de cactos espinhentos de cada cor e tamanho, mas que facilmente escalamos, podemos apreciar outra vista panoramica de extrema beleza: a serra de Jucurutu, agora mais perto, não parece mais uma piramide; o rio Garganta, afluente do Piranhas/Açu, desce sinuoso numa longa fenda que se abre ao pé da serra; ao Norte, a Serra das Pinturas mostra-nos ainda numa face dela as feridas abertas por uma mineradora em desuso ja faz tempo.
Na casa de taipa que existe na ilha estão arranchados dois ou três pescadores de São Rafael que vendem o pescado na feira de Jucurutu.
Conversamos um pouco com eles e depois voltamos a remar até uma ilhota pouco distante, onde escolhemos uma bonita arvore verde para almoçar na sombra dela.
Depois do almoço, sem descansar muito, voltamos logo a remar para conseguir chegar na Ilha Grande de São Rafael antes do pôr-do-sol.
Chegamos mesmo apenas em tempo para escolher o local certo para armar as redes antes do cair da noite. Cansado da remada, Stefano adormeceu sem nem jantar. Eu aproveitei disso para não cozinhar nada pra mim e comer pão com queijo lendo um pouco na rede antes da dormir.
Acordamos cedo, mas demoramos para levantar o acampamento. Stefano encontrou no topo do morro vestigios de uma antica construção e ficou instigadissimo: estudou os alicerces com a minuciocidade do mais atento pesquisador cientifico.
Quando enfim, depois de uma hora de remo também, chegamos no porto de São Rafael, o sol estava alto e o dia ja bem quente. Caminhamos até a praça da feira, que visitamos sem comprar praticamente nada, pois ainda tinhamos em abundancia os mantimentos adquiridos em Itaja no dia anterior à saida da expedição.
Na hora do almoço aproveitamos da ocasião para apreciar a comida tipica da região: pra mim buchada, enquanto Stefano experimentou o bode guisado, do qual eu também provei um pedacinho. Calmamente voltamos à canoa e remamos atè o Campo E, onde encontramos a ossada de uma vaca morta. Por causa disso, os pescadores deixaram de usar por enquanto o local como rancho: algumas dezenas de metros pra frente uma aroeira nos ofereceu o lugar propicio para parar.
Armamos o acampamento e sentamos nas grandes pedras na sombra da arvore continuando nossa elucubrações filosóficas até o anoitecer.
Pro jantar preparei: frango caipira lentamente assado na brasa com salada muito mista.
O último dia desta expedição começou chovendo um pouco, mas só para mostrar-nos depois uma série de arco-iris um mais bonito que outro!
Inspirado, peguei a maquina fotográfica e fui dar uma caminhada entre as pedras a caça de boas imagens. Voltei ao acampamento quando Stefano estava começando a preocupar-se pela minha ausência. Quando o almoço, que se posso gosto de preparar logo cedo de manhã, ficou pronto carregamos toda a tralha na canoa e fomos remando sem parar até a ilha de Erivaldo, onde Stefano chegou bastante provado. Depois da refeição, ele deitou mesmo na areia onde estava sentado e dormiu mais de uma hora sem se mexer. Enquanto isso o vento Norte começou a soprar com vontade. As 3h e meia Stefano acordou e, parecendo-me que o vento começasse a diminuir de intensidade, voltamos ao remo, mas justamente quando nos afastamos da ilha o vento recomeçou a soprar com força. Lutamos contra o vento quase uma hora inteira para conseguir manter nossa rota sem arriscar virar a canoa no meio de tantas marolas desordenadas. A dois quilometros do Sitio Araras o vento baixou de vez e finalmente chegamos cansados mas alegres à base IGARUANA antes do pôr-do-sol, que admirei deitado na rede por baixo do imbuzeiro.
É raro voltar de uma expedição IGARUANA sem ter aprendido algo de novo, também tendo navegado na região dezenas de vezes. O fato é que cada aventura em canoa é uma experiencia nova e diferente que inevitavelmente esconde pelo menos um aspecto surprendente e desconhecido até então. Viva a aventura!
Ao raiar do dia levantei e logo percebi que durante a noite nossos mantimentos foram atacados por algum animal que comeu a melancia inteira e mastigou parcialmente duas mangas e o abacate, frutas inocente e descuidadosamente deixadas soltas perto da canoa à beira-rio. Pensei nas cabras, mas quando levantamos o acampamento e estavamos prestes a zarpar, o verdadeiro culpado, um burrinho insolente, apareceu nas pedras e ainda zombou da gente, ralhando alto seu deboche. Que filho-da-mae!
Segundo dia sem vento: a superficie do rio parece um espelho escuro. Atravessamos o rio para outra margem e seguimos remando aos pés da Serra das Pinturas até aproximar-se do Sitio Mutamba. Um pescador local veio conversar com a gente e nos contou as novidades enquanto eu preparava o almoço: Zezinho foi deixado pela mulher e passa o dia bebendo; Antonio, já casado e com prole, engravidou outra mulher e foi morar com ela em Jucurutu. Depois da refeição descansamos um pouco e voltamos ao remo para chegar à grande aroeira do Campo M antes do pôr-do-sol.
Por baixo dessa grande arvore frondosa já me sinto como se estivesse em casa, talvez melhor. Armamos as redes, acendi o fogo. Primeiro o café, depois o jantar: frango caipira com legumes na panela de pressao. Delicia.
O Sitio Mutamba dista poucas centenas de metros, meio quilometro do nosso acampamento. Sábado à tarde. No único barzinho da vila, a galera está bebendo e "ralando o bucho" dançando forró. O barulho da farra se escuta de longe. Quando anoitece tudo para de repente e o silencio volta indisturbado. Boa noite.
O amanhecer no Vale do Açu é algo que mexe dentro da gente. De repente um primeiro claror muda a noite pro dia, depois aparece o sol no horizonte e toda uma faixa do céu fica da cor do ouro, cor que tinge também a água do rio, deixando o visual inesquecivel. São momentos como este que marcam positivamente nossa vida.
As 4h e meia já estou acordado. Com a maquina fotográfica na mão, vou documentando e vivenciando mais uma pura e simples maravilha da Natureza: o raiar do dia! A experiencia, contudo não seja mais uma novidade para mim, continua me emocionando bastante. Voltei ao acampamento só depois das 6h. Stefano ainda dorme na rede. Mexi nos restos da fogueira da noite anterior e com uns pedacinhos de lenha acendi o fogo sem precisar de fosforo. Quando o café ficou pronto, apareceu Josimar, agricultor local, para conversar um pouco comigo, pois já viramos amigos. A seca está braba e vai piorar, ele disse. Mesmo assim, com muita boa vontade e aquela valentia tipicamente sertaneja, Josimar levanta todo dia cedo para cortar o capim cultivado na vazante para alimentar seu gado, umas tantas vacas e uns cavalos que me olham suspeitosos por ter invadido a sombra da aroeira. Josimar perdeu quase todo o milho e o feijão plantados pela falta de chuva, mas conseguiu salvar a batata doce.
Finalmente Stefano acordou e logo depois ter lhe dado as boas-vindas o agricultor voltou ao trabalho.
Domingo preguiçoso: ficamos dialogando até o meiodia, enquanto o almoço lentamente cozinhava na panela de pressão.
Levantado o acampamento, fomos remando pro Sul até a ilha Timbaúba.
Do topo do alto penhasco, cheio de cactos espinhentos de cada cor e tamanho, mas que facilmente escalamos, podemos apreciar outra vista panoramica de extrema beleza: a serra de Jucurutu, agora mais perto, não parece mais uma piramide; o rio Garganta, afluente do Piranhas/Açu, desce sinuoso numa longa fenda que se abre ao pé da serra; ao Norte, a Serra das Pinturas mostra-nos ainda numa face dela as feridas abertas por uma mineradora em desuso ja faz tempo.
Na casa de taipa que existe na ilha estão arranchados dois ou três pescadores de São Rafael que vendem o pescado na feira de Jucurutu.
Conversamos um pouco com eles e depois voltamos a remar até uma ilhota pouco distante, onde escolhemos uma bonita arvore verde para almoçar na sombra dela.
Depois do almoço, sem descansar muito, voltamos logo a remar para conseguir chegar na Ilha Grande de São Rafael antes do pôr-do-sol.
Chegamos mesmo apenas em tempo para escolher o local certo para armar as redes antes do cair da noite. Cansado da remada, Stefano adormeceu sem nem jantar. Eu aproveitei disso para não cozinhar nada pra mim e comer pão com queijo lendo um pouco na rede antes da dormir.
Acordamos cedo, mas demoramos para levantar o acampamento. Stefano encontrou no topo do morro vestigios de uma antica construção e ficou instigadissimo: estudou os alicerces com a minuciocidade do mais atento pesquisador cientifico.
Quando enfim, depois de uma hora de remo também, chegamos no porto de São Rafael, o sol estava alto e o dia ja bem quente. Caminhamos até a praça da feira, que visitamos sem comprar praticamente nada, pois ainda tinhamos em abundancia os mantimentos adquiridos em Itaja no dia anterior à saida da expedição.
Na hora do almoço aproveitamos da ocasião para apreciar a comida tipica da região: pra mim buchada, enquanto Stefano experimentou o bode guisado, do qual eu também provei um pedacinho. Calmamente voltamos à canoa e remamos atè o Campo E, onde encontramos a ossada de uma vaca morta. Por causa disso, os pescadores deixaram de usar por enquanto o local como rancho: algumas dezenas de metros pra frente uma aroeira nos ofereceu o lugar propicio para parar.
Armamos o acampamento e sentamos nas grandes pedras na sombra da arvore continuando nossa elucubrações filosóficas até o anoitecer.
Pro jantar preparei: frango caipira lentamente assado na brasa com salada muito mista.
O último dia desta expedição começou chovendo um pouco, mas só para mostrar-nos depois uma série de arco-iris um mais bonito que outro!
Inspirado, peguei a maquina fotográfica e fui dar uma caminhada entre as pedras a caça de boas imagens. Voltei ao acampamento quando Stefano estava começando a preocupar-se pela minha ausência. Quando o almoço, que se posso gosto de preparar logo cedo de manhã, ficou pronto carregamos toda a tralha na canoa e fomos remando sem parar até a ilha de Erivaldo, onde Stefano chegou bastante provado. Depois da refeição, ele deitou mesmo na areia onde estava sentado e dormiu mais de uma hora sem se mexer. Enquanto isso o vento Norte começou a soprar com vontade. As 3h e meia Stefano acordou e, parecendo-me que o vento começasse a diminuir de intensidade, voltamos ao remo, mas justamente quando nos afastamos da ilha o vento recomeçou a soprar com força. Lutamos contra o vento quase uma hora inteira para conseguir manter nossa rota sem arriscar virar a canoa no meio de tantas marolas desordenadas. A dois quilometros do Sitio Araras o vento baixou de vez e finalmente chegamos cansados mas alegres à base IGARUANA antes do pôr-do-sol, que admirei deitado na rede por baixo do imbuzeiro.
É raro voltar de uma expedição IGARUANA sem ter aprendido algo de novo, também tendo navegado na região dezenas de vezes. O fato é que cada aventura em canoa é uma experiencia nova e diferente que inevitavelmente esconde pelo menos um aspecto surprendente e desconhecido até então. Viva a aventura!
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Expedição filosófica - Junho de 2012
Na últimissima hora, o segundo inscrito à expedição adiou sua participação para outra vez; de qualquer forma a gente, não querendo perder a ocasião, acabou saindo apenas em duas pessoas para mais uma aventura em canoa na Natureza, remando sobre as águas do rio Piranhas/Açu, sertão do Rio Grande do Norte.
Pela ausência do segundo participante, ficou também na base IGARUANA um dos meus valiosos ajudantes, Valdo, escalado para a expedição. Sobrou bastante serviço pra mim, afinal, mas isso faz parte do jogo.
Stefano, 42 anos, um italiano que mora no Brasil há alguns anos, remou pela primeira vez na vida nesta expedição IGARUANA; apesar de não ter uma boa tecnica de remada, ele conseguiu dar conta do recado igualmente, enfrentando em duas ocasiões vento contrario e altas marolas como um experiente canoeiro.
Desde o transfer em ônibus pro sertão, Stefano propôs como temas de conversação assuntos existenciais e metafisicos. Eu aceitei o desafio e assim fomos discutindo ao longo dos dias sobre creacionismo, evolucionismo, deuses, homens e Natureza. Mas também sobre diferentes teorias de conspiração para o controle total do genêro humano. Depois de cincos dias de dialogo, tudo ficou provável ou possível e nada certo.
Saindo na sexta-feira do Sítio Araras, fomos em duas etapas até o Sítio Mutamba, já no territorio de Jucurutu. No terceiro dia remamos até a Ilha Timbaúba, na qual do alto de um penhasco é possível uma visío vislumbrante a 360°, e pernoitamos na Ilha Grande de São Rafael para ir na feira livre da cidade no dia seguinte. Na segunda à tarde arranchamos nas cercanias de São Rafael e só voltamos ao Sítio Araras na terça-feira pouco antes do pôr-do-sol, depois ter enfrentado de novo o rio agitado pelo vento atravessado.
Trilha sonora de Kevin McLeod: "East of Tunesia" - Thanx a lot, Kevin!
domingo, 1 de abril de 2012
Expedição Lua Cheia - Jan. 2012
Edição remix do vídeo original com efeito "envelhecido"
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www.igaruana.com
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Outro caminho...
Sentei-me entre os pedregulhos na rala sombra de uma jurema, descasquei uma laranja e chequei as coordenadas no GPS. Nunca tinha parado antes nesse lugar, preferindo sempre encostar a canoa alguns quilometros mais pra frente, perto de uma imponente e sempreverde aroeira, perfeita para arranchar-se por uma noite ou uma semana.
Procurando aproveitar melhor da pouca sombra da arvore contorta e cheia de espinhos, fiquei olhando pra utra margem do rio.
Bem diante de mim, de repente, vislumbrei uma trilha pouco batida que timidamente serpenteia atè o topo da encosta, mostrando-me a possibilidade que exista outro caminho...
Rio Piranhas/Açu Set. 2009
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
sexta-feira, 25 de março de 2011
Expedição Equinôcio de primavera (video)
Algumas imagens de uma breve expedição em canoa no setembro de 2010, em ocasião do equinôcio de primavera, quando dia e noite tem a mesma duração. Quem me acompanhou na aventura foi meu proeiro oficial, Marcelo.
O nível da água do rio Piranhas/Açu estava muito baixo e ficou impossível remontar alguns afluentes por pouco mais de uns quilometros. No meu blog, Cyber-Buda, tem um relato da breve aventura.
Vale a pena ressaltar que nesta expedição foi a última vez que passamos por perto da torre da igreja da cidade submersa de São Rafael/RN, cartão postal do municipio. Na madrugada do 17 de dezembro de 2010, improvisamente a construção ruiu e a torre desapareceu por baixo das águas.
A trilha sonora do video é "Hustle" de Kevin McLeod. Thanx a lot, Kevin!
O nível da água do rio Piranhas/Açu estava muito baixo e ficou impossível remontar alguns afluentes por pouco mais de uns quilometros. No meu blog, Cyber-Buda, tem um relato da breve aventura.
Vale a pena ressaltar que nesta expedição foi a última vez que passamos por perto da torre da igreja da cidade submersa de São Rafael/RN, cartão postal do municipio. Na madrugada do 17 de dezembro de 2010, improvisamente a construção ruiu e a torre desapareceu por baixo das águas.
A trilha sonora do video é "Hustle" de Kevin McLeod. Thanx a lot, Kevin!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O córrego fantasma e o equinócio de primavera
20 de setembro de 2010
Acordei cedo para terminar de arrumar todas as coisas. Fui me despedir de Marina Luna que vai passar esses dias com a mãe e deixei com elas a cadela Biriba e minha bicicleta emprestada, para ir e voltar da escola. Um pulo na Internet e depois Kombi para Goianinha (onde encontrei Josiene) e ônibus para o Posto Dudu em Parnamirim. Lanche (coxinha, café e suco) esperando o expresso para Mossoró das 2h. No meio do caminho, pouco antes de Lajes, estourou um pneu do ônibus, assustando todo mundo com o estrondo, mas nada de grave. Só uma breve parada para trocar o pneu e a viagem continuou. Do trevo de Itajá na BR304 até o Mercado Padre Cicero dessa vez fui de moto-taxi, por que tinha muita bagagem. Como sempre, depois ter feito as compras, a picape das entregas me levou pra casa junto com a mercadoria. Logo que cheguei em casa, guardei as compras na geladeira e passei très vezes a vassoura no piso, antes de tirar os lençóis que cobrem os moveis e os livros nas prateleiras. Primeiros apareceram os meninos Mateus, Maria Clara e Bruna para dar-me o bem-vindo; depois vieram Marcelo e uns outros rapazes da vila para saber as novidades. Armei a rede, comi pão com mortadela e queijo coalho, lendo uma pequena publicação do prof.Juvandi sobre pré-história na Paraiba. Comi também um pacote de "raivinha" antes de adormecer.
21 de setembro de 2010 - Expedição Equinócio de Primavera
Acordei bem cedinho, mas fiquei preguiçoso na rede até às 7h, quando escutei o barulho da água chegando no tanque. Preparei e tomei duas xícaras de café e depois fui tomar um bom banho, aproveitando ao mesmo tempo para lavar o banheiro e regar o pé de acerola logo lá fora. Trepado no umbuzeiro, vi passar Valdo e o pai, Tico, voltando da pesca com o barquinho a motor. Acenei para eles e pouco depois Valdo apareceu em casa com a estrovenga amolada; marcamos para encontrar-nos em uma hora, quando ele voltar do Itajá. Pouco depois das 8h Marcelo chegou e puxamos todas as canoas fora da casa de taipa, que transformei em oficina/estalagem, para fazer manutenção. Enquanto eu fiz os consertos necessários, Marcelo foi limpando e lavando as canoas. Quando Valdo chegou fizemos uma reunião "Igaruana" sobre segurança e outros assuntos importantes dos quais não me canso de voltar a falar cada vez que for necessário. Valdo ficou responsavel de limpar o terreno da frente e de tras de todo o plastico presente na área. Eu e Marcelo começamos a arrumar toda a tralha para nossa breve expedição. Cozinhei um quilo de feijão verde e um bocadinho de cuscuz para ter uns alimentos já prontos. Tomei mais duas xícaras de café e comi duas bananas. À 1h da tarde descemos com a canoa até o berço-d'água e carregamos nela todo o equipamento. Zarpamos do Sítio Araras à 1h30'.
Desde logo encaramos um vento SE meio atravessado que nos atrapalhou um pouco. Mesmo assim decidimos encurtar o caminho e apontei a canoa direto pro Estreito da Ilha da Caixa, remando bem no meio do rio, sem passar perto da Itatinga ou da Ilha E. Ao passar o estreito, fizemos uma pausa para comer uns biscoitos. Sempre com o vento soprando atravessado, agora já formando umas marolas, continuamos a remar sem parar até o pôr-do-sol, opondo ao vento o esforço de ambos os remos no mesmo lado da canoa.
Mais perto do lado selvagem desse trecho do rio, vimos muitos paturis e Marcelo avistou por uns breves instantes uma jaguatirica se movendo entre as juremas sem folhas. Às 5h45' chegamos numa ilhota onde já paramos só pra conhecer e lembrar que é um bom lugar para acampar e descarregamos toda a tralha da canoa. No GPS marcamos a ilha como Campo N, na frente de São Rafael, mas a 1,6km de distancia, relativamente perto à outra margem do rio. Percorremos segundo o GPS 16km em 4 horas, um bom tempo com aquele vento desfavorável. Quando o sol desapareceu no horizonte, a lua já estava alta no céu. Acendemos uma pequena fogueira e comemos peito de frango na grelha (sal e cominho) com feijão verde e cuscuz temperado com tomate, cebola e coentro. Deitado na rede escrevi minhas anotações enquanto Marcelo já dormia e o vento continuava soprando sem parar.
22 de setembro de 2010 - O córrego fantasma
O vento SE continuou soprando a noite inteira, parecendo às vezes que alguém quisesse me acordar balançando a rede com força. Acordei às 5h e logo acendi o fogo para preparar o café. Pouco depois levantou Marcelo também e começamos a organizar as coisas. Como café-da-manhã comemos frutas e cuscuz com ovos, tomando suco e café. Sempre com o vento contrario meio atravessado, remamos até às 8h15' quando dobramos à nossa direita e continuamos em direção à ilha Timbauba.
Quando chegamos lá conhecemos "seu" Francisco, um ancião morador do Sítio Mutamba, que estava plantando capim na vazante. Perguntei-lhe sobre o corrego que a gente procurou tanto durante a 1ª Expedição Itacoatiara (com Marina Luna, em julho de 2009), quando Nil nos contou que remontando esse curso d'água dá pra chegar perto de uma caverna que os antigos caçadores da região usavam para arranchar. Aproveitamos dessa parada também para lanchar com biscoitos e suco. Segundo as indicações de seu Francisco chegamos num bonito recanto com muitas arvore de carnaúba. Um morador do lugar nos disse que acolá se chama Olho-d'água e que o lugar que nos estamos procurando se chama Malhada-d'areia. Assim nos deu outras indicações para chegar ao "córrego fantasma", como já o rebatizamos. Remamos, remamos, prestando a maior atenção em eventuais entradas escondidas, mas não encontramos algum sinal do córrego em questão. Às 11h30' chegamos numa ilhota no meio da qual existe uma grande aroeira e ali decidi parar para preparar o almoço. Acendi o fogo entre umas pedras e preparei frango na manteiga com cominho, alho e coentro. Como acompanhamento: arroz da terra, feijão verde e salada de tomate, cebola e cenoura. Depois do almoço Marcelo foi lavar a louça e eu preparei um litro de café que fui tomando ao longo da tarde. Marcelo trepou na arvore e conseguiu encontrar uma posição para ficar deitado sem cair facilmente. Na quietude da tarde quente, passei um tempinho pensando na real localização desse córrego, no desencontro com nosso guia local Antonio alguns meses atras e na dificuldade de visitar a tal caverna. Alguns pica-paus vieram pular de galho em galho na sombra da aroeira e me trouxeram de volta à realidade.
Deixamos o rancho (no GPS: Aroeira2) por volta das 3h e fomos remando de volta até a ilha Timbauba, onde estava pensando de acampar para assistir ao por-do-sol e o nascer da lua cheia do alto do penhasco, mas encontramos no mesmo canto onde a gente costuma parar alguns pescadores já arranchados para passar a noite. No meio do caminho vimos um grande numero de garças-açu que, em cima de um rochedo, ficavam esperando a hora certa para voar, mergulhar o bico na água e pescar um peixe. Já sentado na canoinha dele, encontramos seu Francisco, pescando entre as tantas pedras ao redor da Timbauba. Remamos por mais uma hora e nos acampamos por baixo da aroeira do Sítio Mutamba (GPS: Campo M/Aroeira). Acendi a fogueira entre umas pedras e assistimos ao por-do-sol dum lado e o nascer da lua do outro. Preparei o café e comemos sanduiches de pão integral com mortadela, fatias de tomate e queijo coalho. Um morador do Sítio Mutamba, seu Josimar, veio soltar um cavalo amarrado numa estaca e nos convidou para ir dormir na casa dele. Já deitado na rede, mais tarde, vi chegar na aroeira umas tantas corujas, que pularam de galho em galho, brilhando no clarão lunar como fossem de prata.
23 de setembro de 2010
Enquanto a gente estava dormindo nas redes armadas por baixo da aroeira, um burro e um cavalo vieram visitar-nos. O burrico atacou a caixa dos alimentos, mas não fez muito estrago. Mastigou, sem nem conseguir comer, um meio pacote de pão de forma integral, no próprio saco de plástico, e acabou comendo o papelão da bandeja dos ovos, sem quebrar nenhum deles. O cavalo foi cheirar o cabelo de Marcelo, que acordou assustado com o cabeção do animal bem pertinho dele e pulou da rede para botar os dois intrusos pra correr. Eu continuei dormindo sem saber de nada até não acordar de manhã. Ventou muito também nessa madrugada, praticamente sem parar. Às 7h tomamos um café-da-manhã reforçado e às 8h15' zarpamos do Sítio Mutamba, finalmente sem vento contrario.
Remamos sem parar até às 11h quando chegamos perto da torre da igreja da antiga cidade de São Rafael. Com o nível do rio tão baixo, um bom pedaço da torre fica por fora d'água. De repente o ventou parou geral e a temperatura ambiente subiu sensivelmente. Encostamos à margem perto da Prainha para fazer um lanche (Marcelo) e tomar um banho refrescante (eu). Recomeçamos a remar e não paramos até chegar à Itatinga, onde acendi o fogo e preparei o almoço. Depois de comer, descansamos um pedaço na sombra de uma grande arvore encostada no rochedo que cria a área abrigada por baixo da Itatinga. Dezenas de passarinhos vieram pular de galho em galho: rolinhas, pica-paus, beija-flores... para alegrar nossa estadia. Marcelo lavou a louça e eu fiz o café. Depois voltamos a remar até não chegar na baia abrigada do Sítio Araras, onde está meu pé de cajarana no sertão.
Acordei cedo para terminar de arrumar todas as coisas. Fui me despedir de Marina Luna que vai passar esses dias com a mãe e deixei com elas a cadela Biriba e minha bicicleta emprestada, para ir e voltar da escola. Um pulo na Internet e depois Kombi para Goianinha (onde encontrei Josiene) e ônibus para o Posto Dudu em Parnamirim. Lanche (coxinha, café e suco) esperando o expresso para Mossoró das 2h. No meio do caminho, pouco antes de Lajes, estourou um pneu do ônibus, assustando todo mundo com o estrondo, mas nada de grave. Só uma breve parada para trocar o pneu e a viagem continuou. Do trevo de Itajá na BR304 até o Mercado Padre Cicero dessa vez fui de moto-taxi, por que tinha muita bagagem. Como sempre, depois ter feito as compras, a picape das entregas me levou pra casa junto com a mercadoria. Logo que cheguei em casa, guardei as compras na geladeira e passei très vezes a vassoura no piso, antes de tirar os lençóis que cobrem os moveis e os livros nas prateleiras. Primeiros apareceram os meninos Mateus, Maria Clara e Bruna para dar-me o bem-vindo; depois vieram Marcelo e uns outros rapazes da vila para saber as novidades. Armei a rede, comi pão com mortadela e queijo coalho, lendo uma pequena publicação do prof.Juvandi sobre pré-história na Paraiba. Comi também um pacote de "raivinha" antes de adormecer.
21 de setembro de 2010 - Expedição Equinócio de Primavera
Acordei bem cedinho, mas fiquei preguiçoso na rede até às 7h, quando escutei o barulho da água chegando no tanque. Preparei e tomei duas xícaras de café e depois fui tomar um bom banho, aproveitando ao mesmo tempo para lavar o banheiro e regar o pé de acerola logo lá fora. Trepado no umbuzeiro, vi passar Valdo e o pai, Tico, voltando da pesca com o barquinho a motor. Acenei para eles e pouco depois Valdo apareceu em casa com a estrovenga amolada; marcamos para encontrar-nos em uma hora, quando ele voltar do Itajá. Pouco depois das 8h Marcelo chegou e puxamos todas as canoas fora da casa de taipa, que transformei em oficina/estalagem, para fazer manutenção. Enquanto eu fiz os consertos necessários, Marcelo foi limpando e lavando as canoas. Quando Valdo chegou fizemos uma reunião "Igaruana" sobre segurança e outros assuntos importantes dos quais não me canso de voltar a falar cada vez que for necessário. Valdo ficou responsavel de limpar o terreno da frente e de tras de todo o plastico presente na área. Eu e Marcelo começamos a arrumar toda a tralha para nossa breve expedição. Cozinhei um quilo de feijão verde e um bocadinho de cuscuz para ter uns alimentos já prontos. Tomei mais duas xícaras de café e comi duas bananas. À 1h da tarde descemos com a canoa até o berço-d'água e carregamos nela todo o equipamento. Zarpamos do Sítio Araras à 1h30'.
Desde logo encaramos um vento SE meio atravessado que nos atrapalhou um pouco. Mesmo assim decidimos encurtar o caminho e apontei a canoa direto pro Estreito da Ilha da Caixa, remando bem no meio do rio, sem passar perto da Itatinga ou da Ilha E. Ao passar o estreito, fizemos uma pausa para comer uns biscoitos. Sempre com o vento soprando atravessado, agora já formando umas marolas, continuamos a remar sem parar até o pôr-do-sol, opondo ao vento o esforço de ambos os remos no mesmo lado da canoa.
Mais perto do lado selvagem desse trecho do rio, vimos muitos paturis e Marcelo avistou por uns breves instantes uma jaguatirica se movendo entre as juremas sem folhas. Às 5h45' chegamos numa ilhota onde já paramos só pra conhecer e lembrar que é um bom lugar para acampar e descarregamos toda a tralha da canoa. No GPS marcamos a ilha como Campo N, na frente de São Rafael, mas a 1,6km de distancia, relativamente perto à outra margem do rio. Percorremos segundo o GPS 16km em 4 horas, um bom tempo com aquele vento desfavorável. Quando o sol desapareceu no horizonte, a lua já estava alta no céu. Acendemos uma pequena fogueira e comemos peito de frango na grelha (sal e cominho) com feijão verde e cuscuz temperado com tomate, cebola e coentro. Deitado na rede escrevi minhas anotações enquanto Marcelo já dormia e o vento continuava soprando sem parar.22 de setembro de 2010 - O córrego fantasma
O vento SE continuou soprando a noite inteira, parecendo às vezes que alguém quisesse me acordar balançando a rede com força. Acordei às 5h e logo acendi o fogo para preparar o café. Pouco depois levantou Marcelo também e começamos a organizar as coisas. Como café-da-manhã comemos frutas e cuscuz com ovos, tomando suco e café. Sempre com o vento contrario meio atravessado, remamos até às 8h15' quando dobramos à nossa direita e continuamos em direção à ilha Timbauba.
Quando chegamos lá conhecemos "seu" Francisco, um ancião morador do Sítio Mutamba, que estava plantando capim na vazante. Perguntei-lhe sobre o corrego que a gente procurou tanto durante a 1ª Expedição Itacoatiara (com Marina Luna, em julho de 2009), quando Nil nos contou que remontando esse curso d'água dá pra chegar perto de uma caverna que os antigos caçadores da região usavam para arranchar. Aproveitamos dessa parada também para lanchar com biscoitos e suco. Segundo as indicações de seu Francisco chegamos num bonito recanto com muitas arvore de carnaúba. Um morador do lugar nos disse que acolá se chama Olho-d'água e que o lugar que nos estamos procurando se chama Malhada-d'areia. Assim nos deu outras indicações para chegar ao "córrego fantasma", como já o rebatizamos. Remamos, remamos, prestando a maior atenção em eventuais entradas escondidas, mas não encontramos algum sinal do córrego em questão. Às 11h30' chegamos numa ilhota no meio da qual existe uma grande aroeira e ali decidi parar para preparar o almoço. Acendi o fogo entre umas pedras e preparei frango na manteiga com cominho, alho e coentro. Como acompanhamento: arroz da terra, feijão verde e salada de tomate, cebola e cenoura. Depois do almoço Marcelo foi lavar a louça e eu preparei um litro de café que fui tomando ao longo da tarde. Marcelo trepou na arvore e conseguiu encontrar uma posição para ficar deitado sem cair facilmente. Na quietude da tarde quente, passei um tempinho pensando na real localização desse córrego, no desencontro com nosso guia local Antonio alguns meses atras e na dificuldade de visitar a tal caverna. Alguns pica-paus vieram pular de galho em galho na sombra da aroeira e me trouxeram de volta à realidade.
Deixamos o rancho (no GPS: Aroeira2) por volta das 3h e fomos remando de volta até a ilha Timbauba, onde estava pensando de acampar para assistir ao por-do-sol e o nascer da lua cheia do alto do penhasco, mas encontramos no mesmo canto onde a gente costuma parar alguns pescadores já arranchados para passar a noite. No meio do caminho vimos um grande numero de garças-açu que, em cima de um rochedo, ficavam esperando a hora certa para voar, mergulhar o bico na água e pescar um peixe. Já sentado na canoinha dele, encontramos seu Francisco, pescando entre as tantas pedras ao redor da Timbauba. Remamos por mais uma hora e nos acampamos por baixo da aroeira do Sítio Mutamba (GPS: Campo M/Aroeira). Acendi a fogueira entre umas pedras e assistimos ao por-do-sol dum lado e o nascer da lua do outro. Preparei o café e comemos sanduiches de pão integral com mortadela, fatias de tomate e queijo coalho. Um morador do Sítio Mutamba, seu Josimar, veio soltar um cavalo amarrado numa estaca e nos convidou para ir dormir na casa dele. Já deitado na rede, mais tarde, vi chegar na aroeira umas tantas corujas, que pularam de galho em galho, brilhando no clarão lunar como fossem de prata.23 de setembro de 2010
Enquanto a gente estava dormindo nas redes armadas por baixo da aroeira, um burro e um cavalo vieram visitar-nos. O burrico atacou a caixa dos alimentos, mas não fez muito estrago. Mastigou, sem nem conseguir comer, um meio pacote de pão de forma integral, no próprio saco de plástico, e acabou comendo o papelão da bandeja dos ovos, sem quebrar nenhum deles. O cavalo foi cheirar o cabelo de Marcelo, que acordou assustado com o cabeção do animal bem pertinho dele e pulou da rede para botar os dois intrusos pra correr. Eu continuei dormindo sem saber de nada até não acordar de manhã. Ventou muito também nessa madrugada, praticamente sem parar. Às 7h tomamos um café-da-manhã reforçado e às 8h15' zarpamos do Sítio Mutamba, finalmente sem vento contrario.
Remamos sem parar até às 11h quando chegamos perto da torre da igreja da antiga cidade de São Rafael. Com o nível do rio tão baixo, um bom pedaço da torre fica por fora d'água. De repente o ventou parou geral e a temperatura ambiente subiu sensivelmente. Encostamos à margem perto da Prainha para fazer um lanche (Marcelo) e tomar um banho refrescante (eu). Recomeçamos a remar e não paramos até chegar à Itatinga, onde acendi o fogo e preparei o almoço. Depois de comer, descansamos um pedaço na sombra de uma grande arvore encostada no rochedo que cria a área abrigada por baixo da Itatinga. Dezenas de passarinhos vieram pular de galho em galho: rolinhas, pica-paus, beija-flores... para alegrar nossa estadia. Marcelo lavou a louça e eu fiz o café. Depois voltamos a remar até não chegar na baia abrigada do Sítio Araras, onde está meu pé de cajarana no sertão.
terça-feira, 30 de março de 2010
Um dia diferente
Acordei sem despertador às 4:18 da madrugada. Não deu para tomar nem um cafè. Deixei dupla ração de água e comida para a cadela Biriba, peguei bolsa, boné, óculos e sai de casa antes do dia amanhecer.
Quando cheguei no estacionamento, faltavam ainda cinco minutos para o ônibus partir. Como a poltrona 13 estava já ocupada, sentei na 23.
Por incrível que pareça, o ônibus das 5h saiu de Pipa quase lotado e durante a viagem muitos passageiros ficaram em pé.
Às 6:40h desci do ônibus em Parnamirim, no Posto Dudu, cruzei a BR na passarela e fui logo perguntar pro agente da "Nordeste" qual fosse o próximo ônibus pro oeste.
Ranieri, já meu conhecido, que tem também uma lanchonete à beira da estrada, me comunicou: 45 minutos de espera para o expresso Natal-Assú-Mossoró, 23 reais a passagem, 20 pra mim. Comi duas coixinhas, bebendo suco de cajá e lendo um pouco.
Às 7:30h subi no ônibus e fui sentar numa das poucas poltronas livres, perto de uma mulher com duas crianças e ao lado de um rapaz dormiente. Para recuperar o sono perdido, tentei cochilar um pouco, mas não foi fácil.
O neném no colo da mãe, sentada no outro lado do corredor, gosta de gritar. A irmazinha, que deve ter uns quatro anos, é mais tranquila. A jovem mãe tem um sorriso bonito e gosta de conversar. Ela tem também belas pernas nervosas, que me mostra em varias poses, se ajeitando na poltrona.
Em Lajes o ônibus sempre dá uma parada por uns 15/20 minutos e todo mundo deve descer. Aproveitei disso para dar-me uma refrescada, lavando o rosto e molhando os cabelos no banheiro da lanchonete.
É nessa altura que, subindo de volta no ônibus, eu sempre aviso o motorista que pretendo descer no trevo de Itajá, que não é parada obrigatoria. De Lajes para Itajá, sem entrar em Angicos, a viagem demora menos de uma hora. Depois da entrada para São Rafael, só faltam poucos minutos para a chegada.
Às 10:30h desci do ônibus, atravessei a BR e segui caminando em direção à cidade. Da BR até a minha casa tem cinco quilometros. Logo que entrei na cidade, encontrei Tito, que mora no Sítio Araras. Nos cumprimentamos e cada um seguiu pro seu caminho.
Atravessei toda a cidade e na altura do mercadinho de Lourenço, como no fundo do coração eu esperava acontecer a qualquer hora, uma businada me avisou que ia rolar uma carona.
Era o próprio Tito, dirigindo uma motocicleta emprestada. Subi na garupa da moto e em poucos minutos chegamos no Sítio Araras.
Nas horas mais quentes, ninguém anda na rua sem razão.
Entrando em casa encontrei tudo em ordem. Se eu fosse ficar, deveria só passar a vassoura e espanar as teias de aranha. Antes de fechar a casa, cubro tudo com uns lençois para simplificar o serviço na chegada.
Ao abrir a porta de trás, logo deparei com o imbuzeiro cheio de fruta. A arvore está tão carregada que os galhos ficam pesados, querendo arriar no chão.
Subi na arvore, sentei na minha postação preferida e fiquei comendo a fruta diretamente no pé, tendo o cuidado de escolher os frutos na sombra, por que a fruta quente dá dor-de-barriga. Depois de um bom tempo, desci da arvore e fui beliscar outra fruta, dessa vez no pé de acerola.
E isso foi meu almoço.
Fui no banheiro e, ao mesmo tempo, o lavei todo tomando um bom banho refrescante. A água do tanque fica sempre bem fresquinha e, nas horas mais quentes, tomar um banho de cuia é um verdadeiro alívio para o corpo e a alma.
Botei no fogo a água para fazer o café que não tomei quando acordei. Recuperei os documentos que vim buscar e os guardei na bolsa, junto com duas contas que colocaram por baixo da porta, durante minha ausência.
Mal terminei de tomar café que vi uma jovem estudante sentar-se na sombra da varanda da minha casa. Assim perguntei pra ela se ia passar o ônibus escolar; a menina disse que estava mesmo preste a chegar.
Fechei assim o banheiro, a casa, peguei bolsa, óculos, boné, uma bermuda, que tinha deixado ali da útima vez por que estava molhada, e já a busina do ônibus anunciava sua chegada.
No micro-escolar troquei umas ideías com Romário e Marcelo até chegar na praça grande de Itajá, onde tem duas diferentes escolas, de 1º e 2º grau.
Da praça fui de novo andando até a BR, onde uma pequena cobertura simboliza a parada dos ônibus, taxi, moto-taxi, etc.
Por baixo da cobertura está a banquinha de um ambulante e uma turminha que passa o dia inteiro jogando baralho.
Bebi dois cafezinhos com mais açucar que café, escrevendo parte destas notas e depois o micro-ônibus alternativo pra Natal chegou.
Às 13:40h estava já começando minha viagem de regresso: quase 500km num dia só, ida e volta, Pipa - Sítio Araras - Pipa.
Quando cheguei no estacionamento, faltavam ainda cinco minutos para o ônibus partir. Como a poltrona 13 estava já ocupada, sentei na 23.
Por incrível que pareça, o ônibus das 5h saiu de Pipa quase lotado e durante a viagem muitos passageiros ficaram em pé.
Às 6:40h desci do ônibus em Parnamirim, no Posto Dudu, cruzei a BR na passarela e fui logo perguntar pro agente da "Nordeste" qual fosse o próximo ônibus pro oeste.
Ranieri, já meu conhecido, que tem também uma lanchonete à beira da estrada, me comunicou: 45 minutos de espera para o expresso Natal-Assú-Mossoró, 23 reais a passagem, 20 pra mim. Comi duas coixinhas, bebendo suco de cajá e lendo um pouco.
Às 7:30h subi no ônibus e fui sentar numa das poucas poltronas livres, perto de uma mulher com duas crianças e ao lado de um rapaz dormiente. Para recuperar o sono perdido, tentei cochilar um pouco, mas não foi fácil.
O neném no colo da mãe, sentada no outro lado do corredor, gosta de gritar. A irmazinha, que deve ter uns quatro anos, é mais tranquila. A jovem mãe tem um sorriso bonito e gosta de conversar. Ela tem também belas pernas nervosas, que me mostra em varias poses, se ajeitando na poltrona.
Em Lajes o ônibus sempre dá uma parada por uns 15/20 minutos e todo mundo deve descer. Aproveitei disso para dar-me uma refrescada, lavando o rosto e molhando os cabelos no banheiro da lanchonete.
É nessa altura que, subindo de volta no ônibus, eu sempre aviso o motorista que pretendo descer no trevo de Itajá, que não é parada obrigatoria. De Lajes para Itajá, sem entrar em Angicos, a viagem demora menos de uma hora. Depois da entrada para São Rafael, só faltam poucos minutos para a chegada.
Às 10:30h desci do ônibus, atravessei a BR e segui caminando em direção à cidade. Da BR até a minha casa tem cinco quilometros. Logo que entrei na cidade, encontrei Tito, que mora no Sítio Araras. Nos cumprimentamos e cada um seguiu pro seu caminho.
Atravessei toda a cidade e na altura do mercadinho de Lourenço, como no fundo do coração eu esperava acontecer a qualquer hora, uma businada me avisou que ia rolar uma carona.
Era o próprio Tito, dirigindo uma motocicleta emprestada. Subi na garupa da moto e em poucos minutos chegamos no Sítio Araras.
Nas horas mais quentes, ninguém anda na rua sem razão.
Entrando em casa encontrei tudo em ordem. Se eu fosse ficar, deveria só passar a vassoura e espanar as teias de aranha. Antes de fechar a casa, cubro tudo com uns lençois para simplificar o serviço na chegada.
Ao abrir a porta de trás, logo deparei com o imbuzeiro cheio de fruta. A arvore está tão carregada que os galhos ficam pesados, querendo arriar no chão.
Subi na arvore, sentei na minha postação preferida e fiquei comendo a fruta diretamente no pé, tendo o cuidado de escolher os frutos na sombra, por que a fruta quente dá dor-de-barriga. Depois de um bom tempo, desci da arvore e fui beliscar outra fruta, dessa vez no pé de acerola.
E isso foi meu almoço.
Fui no banheiro e, ao mesmo tempo, o lavei todo tomando um bom banho refrescante. A água do tanque fica sempre bem fresquinha e, nas horas mais quentes, tomar um banho de cuia é um verdadeiro alívio para o corpo e a alma.
Botei no fogo a água para fazer o café que não tomei quando acordei. Recuperei os documentos que vim buscar e os guardei na bolsa, junto com duas contas que colocaram por baixo da porta, durante minha ausência.
Mal terminei de tomar café que vi uma jovem estudante sentar-se na sombra da varanda da minha casa. Assim perguntei pra ela se ia passar o ônibus escolar; a menina disse que estava mesmo preste a chegar.
Fechei assim o banheiro, a casa, peguei bolsa, óculos, boné, uma bermuda, que tinha deixado ali da útima vez por que estava molhada, e já a busina do ônibus anunciava sua chegada.
No micro-escolar troquei umas ideías com Romário e Marcelo até chegar na praça grande de Itajá, onde tem duas diferentes escolas, de 1º e 2º grau.
Da praça fui de novo andando até a BR, onde uma pequena cobertura simboliza a parada dos ônibus, taxi, moto-taxi, etc.
Por baixo da cobertura está a banquinha de um ambulante e uma turminha que passa o dia inteiro jogando baralho.
Bebi dois cafezinhos com mais açucar que café, escrevendo parte destas notas e depois o micro-ônibus alternativo pra Natal chegou.
Às 13:40h estava já começando minha viagem de regresso: quase 500km num dia só, ida e volta, Pipa - Sítio Araras - Pipa.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Velocidade de remada
Jorge Bernardino: Alguém do grupo poderia me dizer qual é a velocidade média que se atinge numa canoa com um único remador em águas paradas?
Jack: Olá, Jorge Bernardino
gosto bastante de remar sozinho e carrego muito bem a canoa durante minhas expedições para ter uma embarcação estável e equilibrada.
Em água parada sem vento faço cinco quilometros em uma hora e quinze minutos, sem forçar o ritmo e tendo que corrigir frequentemente a direção, mudando o lado do remo.
Em água parada com um vento leve ou medio, opondo a proa ao vento e não precisando mudar o lado do remo, faço os mesmo cinco quilometros em menos de uma hora.
Com um vento forte a água não fica parada. Se o vento for contra, geralmente paro e espero o vento baixar. Se o vento for a favor, a velocidade e a aventura aumentam na mesma medida.
Remontando o largo e lento rio Piranhas e seus afluentes, durante minhas expedições solitárias, geralmente remo diariamente em média max. uns 20 km, mas eu sou um canoista contemplativo... à velocidade prefiro o panorama! eheheh...
Extraido do fórum da comunidade Canoa Canadense Brasil no Orkut
Jack: Olá, Jorge Bernardino
gosto bastante de remar sozinho e carrego muito bem a canoa durante minhas expedições para ter uma embarcação estável e equilibrada.
Em água parada sem vento faço cinco quilometros em uma hora e quinze minutos, sem forçar o ritmo e tendo que corrigir frequentemente a direção, mudando o lado do remo.
Em água parada com um vento leve ou medio, opondo a proa ao vento e não precisando mudar o lado do remo, faço os mesmo cinco quilometros em menos de uma hora.
Com um vento forte a água não fica parada. Se o vento for contra, geralmente paro e espero o vento baixar. Se o vento for a favor, a velocidade e a aventura aumentam na mesma medida.
Remontando o largo e lento rio Piranhas e seus afluentes, durante minhas expedições solitárias, geralmente remo diariamente em média max. uns 20 km, mas eu sou um canoista contemplativo... à velocidade prefiro o panorama! eheheh...
Extraido do fórum da comunidade Canoa Canadense Brasil no Orkut
domingo, 24 de janeiro de 2010
Picnic e pesca no rio Piranhas
19 jan. 2010 - Minha filha Marina Luna, entusiasta para testar suas novas varas de pesca, me acordou às 5:30h da manhã. Quando abri a porta da frente e vi que o dia estava perfeito para uma remada, comecei logo a arrumar toda a tralha. Para uma excursão de apenas um dia carrego tanta coisa que nem por uma expedição de uma semana. É que tem muitos objetos que podem ser úteis ou necessários em ambos os casos.
Na caixa de isopor coloquei bastante água gelada e frutas, batatas, tomates, arroz e um pedaço de carne-de-sol para nosso picnic.
Ainda cortei cerca de um metro de uma das varas de pesca para ser mais fácil o manuseio dela por parte de Marina Luna.
Às 7:30h zarpamos do Sítio Araras depois ter arrumado umas poucas piabas com Zé Preto, para usa-las como iscas na pescaria.
Desta vez Marina Luna concentrou-se na pesca e não remou. Coloquei portanto toda a carga à proa, para equilibrar os pesos, e deixei para a jovem pescadora todo o centro da canoa.
Fomos assim tranquilamente até a pequena baia aos pés da Itatinga, distante apenas 5 km. da nossa casa.
Logo que chegamos Marina Luna começou a pescar, usando a vara menor e pedacinhos de mortadela de frango cono isca.
Depois umas primeiras tentativas infrutuosas, fomos do outro lado da baia, até umas grandes pedras lisas e escuras, onde um pequeno tucunaré mordeu a isca e foi fisgado pelo anzol. O tempo de tirar umas fotos e logo Marina Luna, verdadeira amante da Natureza, decidiu soltar o peixe de volta no rio.
Alguns dias depois, comparando o tamanho do peixe que tinha pegado com os pescados por uma jovem nativa do Sítio Araras, bem menores que o tucunaré dela, entendeu que o peixe pequeno não volta a ser livre quando a fome está grande... eheheh!
Após um tempo voltamos à canoa e acendemos atras de uma grande pedra negra um pequeno fogo; coloquei arroz e batatas para cozinhar.
Tomamos um bom banho e subimos no rochedo que se ergue solitário num lado da baia. Nessa hora faltou mesmo alguém para tirar umas fotos nossas em cima da pedra mais alta.
Quando o arroz ficou no ponto, botei a carne na grelha para assar e preparei uma salada de tomates, tomando um resto de café esquentado pelo calor solar.
Apartei num canto nosso lixo vegetal e logo uma cabra-gari apareceu para fazer a coleta seletiva.
Almoçamos na escassa sombra de uma jurema encostada no rochedo que marca a entrada na baia e depois voltamos a banhar-nos. Marina Luna vestiu o colete flutuador e fomos nadando preguiçosamente até o outro lado da baia. Quando voltamos à canoa, carregamos toda a tralha, fizemos um rapido lanche com frutas e biscoitos e começamos nossa viagem de volta à base, passando perto de todas as pedras e formações rochosas no meio do caminho na esperança de pescar aquele peixão. Mas o jovem tucunaré da manhã foi mesmo o único pescado.
Com o sol quente ainda batendo forte, paramos para tomar um outro banho refrescante. Voltei a remar, mas às 15:30h, entrando na baia principal do Sítio Araras, constatei que o vento norte, contrario à nossa direção, estava já soprando forte. Para não desgastar todas minhas forças remando contra o vento, decidi fazer uma pausa.
O vento norte sopra forte quase todos os dias depois das 3h da tarde; por volta do pôr-do-sol a calmaria sempre volta. Às vezes começa a soprar logo às 3h, outras principia mais tarde.
Tranquilizei Marina Luna, explicando-lhe que a pausa insperada era para garantir nossa máxima segurança e ela aproveitou disso para cochilar uma meia hora ou pouco mais.
Eu fiquei esperando o vento baixar pensando sobre os grandes misterios da existencia. Finalmente às 4:30h o vento parou. Acordei Marina Luna e voltamos à canoa. Logo que comecei a remar um vento suleste, carregando umas nuvens cinzas de chuva, mas favoravel à nossa direção, levantou-se atrás da gente. Em apenas meia hora chegamos em casa e assistimos ao pôr-do-sol descarregando toda a tralha da canoa.
Na caixa de isopor coloquei bastante água gelada e frutas, batatas, tomates, arroz e um pedaço de carne-de-sol para nosso picnic.
Ainda cortei cerca de um metro de uma das varas de pesca para ser mais fácil o manuseio dela por parte de Marina Luna.
Às 7:30h zarpamos do Sítio Araras depois ter arrumado umas poucas piabas com Zé Preto, para usa-las como iscas na pescaria.
Desta vez Marina Luna concentrou-se na pesca e não remou. Coloquei portanto toda a carga à proa, para equilibrar os pesos, e deixei para a jovem pescadora todo o centro da canoa.
Fomos assim tranquilamente até a pequena baia aos pés da Itatinga, distante apenas 5 km. da nossa casa.
Logo que chegamos Marina Luna começou a pescar, usando a vara menor e pedacinhos de mortadela de frango cono isca.
Depois umas primeiras tentativas infrutuosas, fomos do outro lado da baia, até umas grandes pedras lisas e escuras, onde um pequeno tucunaré mordeu a isca e foi fisgado pelo anzol. O tempo de tirar umas fotos e logo Marina Luna, verdadeira amante da Natureza, decidiu soltar o peixe de volta no rio.
Alguns dias depois, comparando o tamanho do peixe que tinha pegado com os pescados por uma jovem nativa do Sítio Araras, bem menores que o tucunaré dela, entendeu que o peixe pequeno não volta a ser livre quando a fome está grande... eheheh!
Após um tempo voltamos à canoa e acendemos atras de uma grande pedra negra um pequeno fogo; coloquei arroz e batatas para cozinhar.
Tomamos um bom banho e subimos no rochedo que se ergue solitário num lado da baia. Nessa hora faltou mesmo alguém para tirar umas fotos nossas em cima da pedra mais alta.
Quando o arroz ficou no ponto, botei a carne na grelha para assar e preparei uma salada de tomates, tomando um resto de café esquentado pelo calor solar.
Apartei num canto nosso lixo vegetal e logo uma cabra-gari apareceu para fazer a coleta seletiva.
Almoçamos na escassa sombra de uma jurema encostada no rochedo que marca a entrada na baia e depois voltamos a banhar-nos. Marina Luna vestiu o colete flutuador e fomos nadando preguiçosamente até o outro lado da baia. Quando voltamos à canoa, carregamos toda a tralha, fizemos um rapido lanche com frutas e biscoitos e começamos nossa viagem de volta à base, passando perto de todas as pedras e formações rochosas no meio do caminho na esperança de pescar aquele peixão. Mas o jovem tucunaré da manhã foi mesmo o único pescado.
Com o sol quente ainda batendo forte, paramos para tomar um outro banho refrescante. Voltei a remar, mas às 15:30h, entrando na baia principal do Sítio Araras, constatei que o vento norte, contrario à nossa direção, estava já soprando forte. Para não desgastar todas minhas forças remando contra o vento, decidi fazer uma pausa.
O vento norte sopra forte quase todos os dias depois das 3h da tarde; por volta do pôr-do-sol a calmaria sempre volta. Às vezes começa a soprar logo às 3h, outras principia mais tarde.
Tranquilizei Marina Luna, explicando-lhe que a pausa insperada era para garantir nossa máxima segurança e ela aproveitou disso para cochilar uma meia hora ou pouco mais.
Eu fiquei esperando o vento baixar pensando sobre os grandes misterios da existencia. Finalmente às 4:30h o vento parou. Acordei Marina Luna e voltamos à canoa. Logo que comecei a remar um vento suleste, carregando umas nuvens cinzas de chuva, mas favoravel à nossa direção, levantou-se atrás da gente. Em apenas meia hora chegamos em casa e assistimos ao pôr-do-sol descarregando toda a tralha da canoa.
Picnic na Itatinga
Excursão em canoa canadense no rio Piranhas/Açu do Sitio Araras até a Itatinga, a mais alta formação rochosa na margem direita do rio até as largas e maciças serras na região de São Rafael.
Pode ser considerada oficialmente a primeira "remada" de minha filha Marina Luna. Na canoa ela já tinha remado um pouquinho em outras ocasiões, mas dessa vez assumiu o papel de proeiro durante o dia inteiro, remando com vigor e técnica
Quando chegamos à baia abrigada aos pés da Itatinga, tomamos um bom e demorado banho de rio refrescante (sem documentos fotográficos) e só depois acendemos um pequeno fogo onde preparar o nosso almoço: espetos de carne-de-sol assada, arroz, batatas e tomates.
Depois do almoço, com muita boa vontade, escalamos a Itatinga até o topo, evitando as perigosas insidias no caminho, quer dizer, urtigas e espinhos.
De volta à canoa, remamos numa boa até a Base Araras, onde chegamos sem dificuldades por volta das 4 horas
Trilha sonora de Kevin McLeod.
Pode ser considerada oficialmente a primeira "remada" de minha filha Marina Luna. Na canoa ela já tinha remado um pouquinho em outras ocasiões, mas dessa vez assumiu o papel de proeiro durante o dia inteiro, remando com vigor e técnica
Quando chegamos à baia abrigada aos pés da Itatinga, tomamos um bom e demorado banho de rio refrescante (sem documentos fotográficos) e só depois acendemos um pequeno fogo onde preparar o nosso almoço: espetos de carne-de-sol assada, arroz, batatas e tomates.
Depois do almoço, com muita boa vontade, escalamos a Itatinga até o topo, evitando as perigosas insidias no caminho, quer dizer, urtigas e espinhos.
De volta à canoa, remamos numa boa até a Base Araras, onde chegamos sem dificuldades por volta das 4 horas
Trilha sonora de Kevin McLeod.
sábado, 4 de julho de 2009
Expedição Araras Jucurutu [ vídeo]
Finalmente o vídeo com as primeiras imagens da Expedição Araras-Jucurutu-Araras, de 13 a 19 de novembro de 2008.
Todas as filmagens e duas fotografias são de Tito Rosemberg, enquanto a maioria das fotografias são de minha autoria, assim como as edições áudio e vídeo do curta-metragem.
Trilha sonora original de Kevin McLeod: "Matt's Blues". Thanx a lot, Kevin!
Em breve, considerada a fartura de material vídeo e fotográfico produzido por Tito, vou publicar uns outros curtas sobre essa expedição...
Obs. neste mesmo blog estou escrevendo o relato da aventura
clique aqui
Todas as filmagens e duas fotografias são de Tito Rosemberg, enquanto a maioria das fotografias são de minha autoria, assim como as edições áudio e vídeo do curta-metragem.
Trilha sonora original de Kevin McLeod: "Matt's Blues". Thanx a lot, Kevin!
Em breve, considerada a fartura de material vídeo e fotográfico produzido por Tito, vou publicar uns outros curtas sobre essa expedição...
clique aqui
sábado, 2 de maio de 2009
Caminhada até o sangradouro
Quem ligou outro dia de Itajá foi Marcelo, um dos jovens que trabalha comigo ao projeto Igaruana. Ele telefonou para dizer que o rio Piranhas está já marcando os dois metros na parede do sangradouro, lá na barragem Armando Ribeiro Gonçalves, a montante da cidade de Açu.
Ele disse também que está chovendo direto, seja de dia que à noite. A água já subiu até onde plantamos um coqueiro no ano passado e agora vamos ver se a muda já enraizou bem ou não...
Com tanta chuva nessa época, fiquei me lembrando de quando na primavera passada estava tudo seco.
No dia anterior à saida da expedição Araras-Jucurutu, à tarde do 12 de novembro de 2008, Tito e eu fomos esticar as pernas até o sangradouro da barragem ARG. Naquela época do ano, o rio fica bem abaixo do nível do paredão e o enorme rochedo que segue fica todo descoberto...
Assim fui procurar nas imagens da expedição e montei este breve vídeo.
Todas as fotografias são de Tito Rosemberg.
A trilha sonora é de Guilherme Primata: "Neandertal".
Thanx a lot, DJ Primata !
Ele disse também que está chovendo direto, seja de dia que à noite. A água já subiu até onde plantamos um coqueiro no ano passado e agora vamos ver se a muda já enraizou bem ou não...
Com tanta chuva nessa época, fiquei me lembrando de quando na primavera passada estava tudo seco.
No dia anterior à saida da expedição Araras-Jucurutu, à tarde do 12 de novembro de 2008, Tito e eu fomos esticar as pernas até o sangradouro da barragem ARG. Naquela época do ano, o rio fica bem abaixo do nível do paredão e o enorme rochedo que segue fica todo descoberto...
Assim fui procurar nas imagens da expedição e montei este breve vídeo.
Todas as fotografias são de Tito Rosemberg.
A trilha sonora é de Guilherme Primata: "Neandertal".
Thanx a lot, DJ Primata !
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Expedição Araras Jucurutu Araras
1º dia
Acordamos às 5:00h e, sem nem tomar café da manhã (só um café preto), carregamos as canoas com toda a tralha e zarpamos finalmente da Base Araras às 6:15h. Numa canoa Tito e Valdo (proa) e na outra Jack, Marcelo (proa) e, como passageira, Myrra, artista plástica fluminense, encaixada nas bagagens. Vento moderado.
Primeira parada na enseada em baixo da Itatinga. Pequeno lanche com frutas e biscoitos. Myrra pintou uma ararinha azul numa pedra com a ajuda de Marcelo. Recomeçando a remar em direção a São Rafael constatamos um leve aumento da intensidade do vento.
Cruzamos a foz do rio Caraú e nos dirigimos à ilha da Caixa com uma suave brisa a favor; remamos tranquilamente por algumas horas até entrar na segunda grande enseada que se forma desse lado do rio e ali paramos para almoçar. Enquanto eu preparava o almoço, Myrra foi pintar outra pedra. De repente o céu fechou por uma meia hora e uma chuva rala, mas de gotas grossas, caiu inesperada. Para o almoço preparei carne de sol e feijão verde na panela de pressão, arroz refogado e uma salada mista.
Depois do almoço descansamos um pouco esperando Myrra terminar sua segunda pintura rupestre, um teju; às 3:00h da tarde, quando voltamos a remar reparamos que o vento tinha subido bastante de intensidade e estava formando altas marolas no meio da enseada. Com o vento soprando irregularmente, cavalgamos as ondas e chegamos à outra margem com alívio.
Contornando a costa chegamos ao Campo "E", próximo à entrada do porto de São Rafael, por volta das 5:00h da tarde, por um total diário de aproximadamente 20km percorridos. Organizamos rapidamente o acampamento e assistimos de um lado ao pôr do sol e do outro a lua cheia nascer, tomando um café.
Para o jantar, logo depois, uma macarronada deixou todo mundo pronto pra dormir. Tito deitou dentro da barraca e todos os outros nas redes. Eu ainda pensei em anotar algo no meu caderninho, mas não consegui...
2º dia
Acordamos às 5:00h e, sem nem tomar café da manhã (só um café preto), carregamos as canoas com toda a tralha e zarpamos finalmente da Base Araras às 6:15h. Numa canoa Tito e Valdo (proa) e na outra Jack, Marcelo (proa) e, como passageira, Myrra, artista plástica fluminense, encaixada nas bagagens. Vento moderado.
Primeira parada na enseada em baixo da Itatinga. Pequeno lanche com frutas e biscoitos. Myrra pintou uma ararinha azul numa pedra com a ajuda de Marcelo. Recomeçando a remar em direção a São Rafael constatamos um leve aumento da intensidade do vento.
Cruzamos a foz do rio Caraú e nos dirigimos à ilha da Caixa com uma suave brisa a favor; remamos tranquilamente por algumas horas até entrar na segunda grande enseada que se forma desse lado do rio e ali paramos para almoçar. Enquanto eu preparava o almoço, Myrra foi pintar outra pedra. De repente o céu fechou por uma meia hora e uma chuva rala, mas de gotas grossas, caiu inesperada. Para o almoço preparei carne de sol e feijão verde na panela de pressão, arroz refogado e uma salada mista.
Depois do almoço descansamos um pouco esperando Myrra terminar sua segunda pintura rupestre, um teju; às 3:00h da tarde, quando voltamos a remar reparamos que o vento tinha subido bastante de intensidade e estava formando altas marolas no meio da enseada. Com o vento soprando irregularmente, cavalgamos as ondas e chegamos à outra margem com alívio.
Contornando a costa chegamos ao Campo "E", próximo à entrada do porto de São Rafael, por volta das 5:00h da tarde, por um total diário de aproximadamente 20km percorridos. Organizamos rapidamente o acampamento e assistimos de um lado ao pôr do sol e do outro a lua cheia nascer, tomando um café.
Para o jantar, logo depois, uma macarronada deixou todo mundo pronto pra dormir. Tito deitou dentro da barraca e todos os outros nas redes. Eu ainda pensei em anotar algo no meu caderninho, mas não consegui...
2º dia
Às 5:00h fui acordado pelos sinos de umas vacas curiosas que vieram conhecer-nos de perto e ficaram pastando às margens do acampamento. Preparamos e consumimos um café da manhã reforçado (café, pão, biscoitos, ovos, mortadela, frutas e um resto de feijão verde do dia anterior), enquanto a artista Myrra, que tinha acordado mais cedo, terminava mais uma pintura do seu projeto "Museu da Terra": uma jaguatirica, que, pelas cores vivas e contrastantes, resultou ser uma das gravuras mais bonitas da série pintada nesses dias.
Desmontado o acampamento, carregamos toda a tralha nas canoas; por volta das 7:00h zarpamos do Campo "E", tirando das canoas mais umas fotografias da pintura de Myrra.
Vislumbramos de longe a torre da antiga igreja de São Rafael, que se ergue no meio do rio, mas deixamos para a volta vê-la de perto.
Na frente da moderna cidade, edificada na época da construção da barragem que alagou a região, uma ampla e baixa ilha fica no meio do rio, dividindo-o em dois largos canais; cruzamos o canal que dá acesso ao porto principal de São Rafael com um moderado vento de través e contornamos toda a ilha seguindo o curso principal do rio. Cruzamos para outra margem, avistamos o Sítio Mutamba, que já pertence ao município de Jucurutu, e continuamos remando até às 10:00h, quando paramos para fazer um lanche, deixando o tempo a Myrra de efetuar outra pintura rupestre. Dessa vez a artista realizou um bicho esperança, quer dizer, um grilo.
Recomeçando a remar, seguimos em direção à ilha Timbaúba, onde chegamos pouco depois do meio-dia. Logo encontramos dois pescadores, entre os quais Bil, conhecido da gente, que estavam pescando acolá. Como acabavam de chegar, não tinham ainda peixe para vender. À procura de um bom lugar para organizar nosso rancho, costeamos a ilha toda no lado ocidental e aportamos ao pé de um grande rochedo, onde existe uma pequena palhoça usada como abrigo pelos pescadores da região. Com a nossa lona azul ampliamos a área de sombra e organizamos nosso acampamento, denominado Campo "F". Para o almoço preparei carne de sol com batatas na panela de pressão e arroz refogado. Não sobrou nada.
Às 3:15h da tarde enviei Marcelo e Valdo numa canoa à procura de água mineral e gelo numa vila, que avistamos com o binóculo, não muito longe dali. Com Tito fui dar uma caminhada até um alto lajedo de onde acompanhamos a ida e a volta da canoa com os dois jovens. Passamos por uma casa rústica, construída com barro e grandes tijolos maciços, que também deve ser usada como rancho só de vez em quando por alguns pescadores locais.
A artista Myrra, não acostumada ao calor nordestino, ficou na sombra, mas não parada: no mesmo rochedo perto do qual assentamos nosso acampamento realizou uma nova pintura para o Museu da Terra: um periquito verde.
Após pouco mais de uma hora, Marcelo e Valdo voltaram comunicando que na vila onde desembarcaram não existe algum comércio: nada de água mineral nem gelo, então; mesmo assim conseguiram pelo menos trazer água potável para utilizar cozinhando. De volta ao acampamento tomamos aquele bom café quente que Marcelo aprendeu a fazer assim mesmo como a gente gosta e nos preparamos para passar a noite. Armamos a barraca de Tito e as nossas redes; Myrra aprontou seu catre por baixo da palhoça. Pontual, às 7:00h da noite, a lua apareceu no céu, iluminando nossas atividades com sua cor prata.
Uma macarronada parecida à do dia anterior acalmou o apetite de todo mundo; depois, como sempre, fomos deitar cedo. Menos cansado que o primeiro dia, não peguei logo no sono e, deitado na rede, fiquei meditando um pouco olhando pra lua.
No segundo dia o grupo remou apenas 13 km, mas Marcelo e Valdo acrescentaram mais uns cinco quilometros à dose diária indo procurar a água e o gelo.
3º dia
Dormir numa ilha no meio do rio é bom demais! Sem barulhos desagrádaveis, sem mosquitos impertinentes...
Eu, que durmo balançando na rede, me sinto em total harmonia com a natureza, num virtual abraço do universo inteiro me botando pra dormir!!! eh eh eh...
Ao amanhecer fui despertado por passarinhos gorjeando. Levantei de bom grado. Myrra e Tito estavam já acordados e ambos, em cima do grande rochedo para ter um visual mais amplo, estavam "participando" do raiar do novo dia. Peguei a câmera fotográfica e o binóculo e também subi na pedra.
A paisagem de cima do penhasco nos permite uma visão de 360º. A cidade de São Rafael ainda aparece lá no fundo. Na margem direita do rio corre até o horizonte a Serra das Pinturas, evocando futuras explorações; na margem esquerda umas altas serras de topos bizarros que ocultam a Serra Branca e, no rumo dessa nossa expedição, a grande serra que esconde à nossa vista a cidade de Jucurutu; esta serra é bem visível desde o Sítio Araras e nós a identificamos facilmente de longe por parecer uma pirâmide. Estamos já na época da estiagem e a vegetação do sertão representa mais uma vez a metamorfose da caatinga que seca, mas não morre. Oásis verdes identificam de longe a presença humana (e de uma bomba elétrica também... eh eh eh!)
Finalmente Marcelo trouxe uma xícara de café forte para a gente sair do sonho e voltar à realidade. Preparamos e consumimos rapidamente um café da manhã substancioso e desmontamos o acampamento.
Tito identificou as primeiras horas do dia como o momento melhor para tirar fotografias e assim a gente tenta estar já em ação cedo.
O dia amanheceu praticamente sem vento e assim ficamos remando como fosse num espelho de água.
A monte da ilha Timbáuba o rio Piranhas é ignoto a todos nos; na nossa última remada Marcelo e eu chegamos até a Timbaúba, passamos umas horas ali feitos cabras, subindo cada penhasco à procura de pinturas rupestres e voltamos.
Após a enchente do inverno passado o rio está tomando conta da paisagem. Largas baías se formam por todo lado e aqui e ali aparece o topo de alguma ilhota. Num ritmo aparentemente preguiçoso fomos remando de um canto para outro, marcando waypoints no gps e tirando fotografias das muitas aves presentes na região: carcarás, garças, mergulhões, galinhas d'água, socós, etcetera.
Por volta das 10:00h da manhã encostamos num rochedo para tirar a foto de um lagarto bonito e acabamos parando por um tempo ali. Myrra desembarcou a caixa das tintas e foi pintar um iguana numa rocha escolhida por afinidade com o bicho que será retratado. Comemos frutas e biscoitos e conversamos um bocadinho com Francisco, pescador que mora ali perto e veio nos conhecer; perguntei sobre o peixe e ele disse que tinha umas pescadas para vender, mas eu, lembrando que a pescada é um peixe chamado de "comida carrregada" na região, não quis arriscar eventuais dores de barriga.
Marcelo tentou pescar numas pedras com suas iscas artificiais, mas sem resultado. Mais uma vez ele pegou só uns peixinhos pequenos, que logo depois soltou livres na água. Valdo ficou vigiando essa pescaria.
Tito e eu esperamos Myrra terminar a sua pintura de molho na beira do rio, lembrando viagens passadas e projetando as futuras.
Quando Myrra completou a pintura, marcamos o waypoint e tiramos as fotos de circunstancia. Depois voltamos às canoas e aos nossos remos.
Cruzamos para a outra margem do rio passando por mais duas ilhotas, sendo os dois rochedos no topo de alguma área maior atualmente submersa.
Paramos na segunda ilhota por que Myrra quis ver a estatua de uma imagem sagrada entre duas pedras no alto do penhasco, colocada por alguém; mas quando Marcelo olhou direto de perto desvendou o mistério: nada de estatua, só um jogo de sombras nas pedras...
A margem do rio é abrupta e foi difícil encontrar um lugar onde parar; mas de repente encontramos ao mesmo tempo um bom lugar onde almoçar e uma grande pedra para Myrra pintar.
Mas, antes de tudo, para tomar um bom banho refrescante!
Inspirada pelos bonitos carcarás que de manhã posaram (quase) pra gente nos galhos secos de umas arvores, Myrra pintou um deles numa larga pedra bem na beirada d'água.
Para o almoço preparei feijão verde e carne de sol na panela de pressão, arroz refogado e uma salada mista. A panela de pressão resultou ser uma peça muito pratica de usar na minha "cozinha de acampamento". Nunca vou deixar de carregar uma durante estas expedições! eh eh eh...
Quando voltamos a remar, por volta das 3:00h, reparei que a gente ia cruzar a foz de um outro afluente do Piranhas, o rio da Garganta, e que o vento estava soprando com vigor.
Com o vento meio atravessado dobramos a ponta e entramos numa paisagem completamente diferente. O seco sertão deixa de repente espaço para a agricultura. Tudo está VERDE! Uma larga e baixa língua de terra divide o rio em dois canais. Entramos no canal maior, no lado da cidade, e continuamos remando.
É preciso prestar muita atenção: as cercas dos terrenos entram na água por dezenas de metros e os tocos submersos são perigosíssimos. A canoa onde viajam Tito e Valdo foi bater de raspão num toco desses e o casco ficou um pouco danificado, mas nada de grave... (com calma depois fiz um curativo nela com silver tape, eh eh eh!).
Durante a estiagem o leito do rio deve reduzir-se muito; o fundo, agora de areia, é bem baixinho e duas vezes ficamos atolados. A cidade e a ponte de Jucurutu no fundo nos levam de volta à civilização. O vento parou de soprar de repente e chegamos por baixo da ponte na maior calmaria.
Com Marcelo escalei a ponte e fui buscar água mineral e gelo no posto de gasolina à beira da estrada. Myrra foi procurar na internet uma imagem da coruja jucurutu, que deu nome aos índios que viviam na região, para sua última pintura durante esta expedição.
Quando voltamos às canoas, com Marcelo fui remando um pouco mais a monte da ponte, mas um grande banco de areia fechou definitivamente o caminho. Voltamos à ponte e com desconcerto entendemos que nos arredores não tinha arvore nenhuma para armar nossas redes.
Saímos de baixo da ponte e remamos até uma rara área não cultivada onde fixamos o Campo "G" já ao crepúscolo. Famintos, não esperamos cozinhar nada e comemos frutas, biscoitos, queijo, salame, pão, castanhas tomando café bem quente.
Armamos a barraca para Tito e estendemos uma lona bem dobrada na areia para nos dormir.
Às 8:00h da noite a lua apareceu no céu e todo mundo estava já dormindo. Sentado numa pequena espreguiçadeira, fiquei observando a lua com o binóculo por um pouco, escutando apenas uma batucada bem longínqua. Depois fui deitar eu também.
Nesse 3º dia de expedição percorremos cerca de 20 quilômetros remando.
4º dia
Às 5:00h acordei e logo despertei Marcelo para ir juntos à feira do domingo e voltar antes do dia esquentar. Myrra, que deve ter começado a pintar no escuro, terminou em breve sua última obra: uma coruja jucurutu, ave sagrada dos indios locais, que assim foram conhecidos pelos conquistadores que acabaram dando o mesmo nome à cidade.
Tomamos rapidamente um café enxuto e por volta das 6:00h deixamos Tito e Valdo à nossa espera e fomos pra feira. Foi nessa hora que marquei bobeira e esqueci de carregar comigo a câmera fotográfica... putz, que fotos boas deixei de tirar !!!
Botamos a canoa em seco por baixo da ponte e guardamos os remos numa fabrica de queijo ali ao lado. No posto de gasolina nos despedimos de Myrra, que vai continuar a sua viagem de ônibus, e caminhamos pela cidade até a feira.
Comprei muita fruta fresca, queijo, peixe, frango e carne de sol. Comprei também uma muda de mangueira, para plantar no terreno da Base IGARUANA no Sítio Araras. Procuramos um pouco, mas afinal conseguimos comprar uns sacos de gelo e começamos a voltar. No meio do caminho, num mercadinho comprei macarrão e café.
Voltamo à canoa e remamos até o campo base. Guardamos os alimentos nas caixas termícas e arrumamos toda a tralha nas canoas. Com a partida de Myrra, passageira da minha canoa por três dias, pudemos distribuir os pesos diferentemente entre as duas embarcações.
Considerada a ponte de Jucurutu ponto final desta expedição, começamos nossa viagem de volta, remando preguiçosamente numa manhã belissima, observando as numerosas aves nas beiradas.

A luz da manhã estava ótima para tirar fotografias, assim aproveitei de uma parada imprevista num banco de areia para descer da canoa e filmar um nutrido grupo de aves dando um showzinho pra gente.
Ao contrario, Tito e Valdo se empolgaram na remada e em breve desapareceram da nossa vista. Tentei chama-los usando até o apito, mas já estavam longe demais.
Os "apressadinhos" perderam de marcar junto com a gente a confluência do paralelo 6ºS com o meridiano 37ºW, bem no meio do rio.
Foi só depois de cruzar de novo a foz do rio afluente que houve a reconjunção do grupo. Fizemos um lanche rapido e fomos procurar um lugar onde arranchar para preparar o almoço. Subimos um pouco pelo rio Garganta e algumas centenas de metros depois do rochedo onde almoçamos no dia anterior, encontramos um recanto ainda melhor para parar. Uma enorme pedra lisa com um lugar privilegiado na sombra para descansar.
Cozinhei o arroz e botei o peixe na caçarola, com temperos e legumes, depois fui tomar um bom banho refrescante. Tito, deitado na pedra como um sniper, desparava clics com suas maquinas fotograficas. Os meninos descansaram na sombra.
Depois do almoço, quente, abondante e gostoso, só conseguimos ficar deitados na sombra falando besteira por um tempão.
Por volta das 3:00h voltamos a remar e subimos o afluente até onde deu. Num lugarzinho encantado, com aquela luz da tarde de tom bem quente, um tucunaré beijou minha mão, pendurada à pêlo d'água. Eh, eh, eh... momentos únicos!
Remamos contra o vento uma hora para procurar um lugar para acampar e não foi fácil encontrar a arvore certa no crepúsculo, mas afinal encontramos um local bom para armar a barraca e as redes. Nesse domingo preguiçoso percorremos apenas 12 quilometros.
Descarregada a tralha, tomamos um café bem quente e botei água para ferver e assim preparar uma energetica macarronada. Tito disse que não estava com tanta fome e que à macarronada preferia algo de mais leve, só pra beliscar e ir dormir logo. Assim arrumei pra ele um pratinho só com umas azeitonas, queijo em cubinhos, filé de tomate, assim mesmo, bem siples. Ficamos beliscando juntos, tomando café e conversando... mas na hora da macarronada ele não resistiu e comeu um pratão!!! E eu também.
Depois disso fui direto pra rede.
(continua...)
Vislumbramos de longe a torre da antiga igreja de São Rafael, que se ergue no meio do rio, mas deixamos para a volta vê-la de perto.
Na frente da moderna cidade, edificada na época da construção da barragem que alagou a região, uma ampla e baixa ilha fica no meio do rio, dividindo-o em dois largos canais; cruzamos o canal que dá acesso ao porto principal de São Rafael com um moderado vento de través e contornamos toda a ilha seguindo o curso principal do rio. Cruzamos para outra margem, avistamos o Sítio Mutamba, que já pertence ao município de Jucurutu, e continuamos remando até às 10:00h, quando paramos para fazer um lanche, deixando o tempo a Myrra de efetuar outra pintura rupestre. Dessa vez a artista realizou um bicho esperança, quer dizer, um grilo.
Recomeçando a remar, seguimos em direção à ilha Timbaúba, onde chegamos pouco depois do meio-dia. Logo encontramos dois pescadores, entre os quais Bil, conhecido da gente, que estavam pescando acolá. Como acabavam de chegar, não tinham ainda peixe para vender. À procura de um bom lugar para organizar nosso rancho, costeamos a ilha toda no lado ocidental e aportamos ao pé de um grande rochedo, onde existe uma pequena palhoça usada como abrigo pelos pescadores da região. Com a nossa lona azul ampliamos a área de sombra e organizamos nosso acampamento, denominado Campo "F". Para o almoço preparei carne de sol com batatas na panela de pressão e arroz refogado. Não sobrou nada.
Às 3:15h da tarde enviei Marcelo e Valdo numa canoa à procura de água mineral e gelo numa vila, que avistamos com o binóculo, não muito longe dali. Com Tito fui dar uma caminhada até um alto lajedo de onde acompanhamos a ida e a volta da canoa com os dois jovens. Passamos por uma casa rústica, construída com barro e grandes tijolos maciços, que também deve ser usada como rancho só de vez em quando por alguns pescadores locais.
A artista Myrra, não acostumada ao calor nordestino, ficou na sombra, mas não parada: no mesmo rochedo perto do qual assentamos nosso acampamento realizou uma nova pintura para o Museu da Terra: um periquito verde.Após pouco mais de uma hora, Marcelo e Valdo voltaram comunicando que na vila onde desembarcaram não existe algum comércio: nada de água mineral nem gelo, então; mesmo assim conseguiram pelo menos trazer água potável para utilizar cozinhando. De volta ao acampamento tomamos aquele bom café quente que Marcelo aprendeu a fazer assim mesmo como a gente gosta e nos preparamos para passar a noite. Armamos a barraca de Tito e as nossas redes; Myrra aprontou seu catre por baixo da palhoça. Pontual, às 7:00h da noite, a lua apareceu no céu, iluminando nossas atividades com sua cor prata.
Uma macarronada parecida à do dia anterior acalmou o apetite de todo mundo; depois, como sempre, fomos deitar cedo. Menos cansado que o primeiro dia, não peguei logo no sono e, deitado na rede, fiquei meditando um pouco olhando pra lua.
No segundo dia o grupo remou apenas 13 km, mas Marcelo e Valdo acrescentaram mais uns cinco quilometros à dose diária indo procurar a água e o gelo.
3º dia
Dormir numa ilha no meio do rio é bom demais! Sem barulhos desagrádaveis, sem mosquitos impertinentes...Eu, que durmo balançando na rede, me sinto em total harmonia com a natureza, num virtual abraço do universo inteiro me botando pra dormir!!! eh eh eh...
Ao amanhecer fui despertado por passarinhos gorjeando. Levantei de bom grado. Myrra e Tito estavam já acordados e ambos, em cima do grande rochedo para ter um visual mais amplo, estavam "participando" do raiar do novo dia. Peguei a câmera fotográfica e o binóculo e também subi na pedra.
A paisagem de cima do penhasco nos permite uma visão de 360º. A cidade de São Rafael ainda aparece lá no fundo. Na margem direita do rio corre até o horizonte a Serra das Pinturas, evocando futuras explorações; na margem esquerda umas altas serras de topos bizarros que ocultam a Serra Branca e, no rumo dessa nossa expedição, a grande serra que esconde à nossa vista a cidade de Jucurutu; esta serra é bem visível desde o Sítio Araras e nós a identificamos facilmente de longe por parecer uma pirâmide. Estamos já na época da estiagem e a vegetação do sertão representa mais uma vez a metamorfose da caatinga que seca, mas não morre. Oásis verdes identificam de longe a presença humana (e de uma bomba elétrica também... eh eh eh!)
Finalmente Marcelo trouxe uma xícara de café forte para a gente sair do sonho e voltar à realidade. Preparamos e consumimos rapidamente um café da manhã substancioso e desmontamos o acampamento.
Tito identificou as primeiras horas do dia como o momento melhor para tirar fotografias e assim a gente tenta estar já em ação cedo.
O dia amanheceu praticamente sem vento e assim ficamos remando como fosse num espelho de água.
A monte da ilha Timbáuba o rio Piranhas é ignoto a todos nos; na nossa última remada Marcelo e eu chegamos até a Timbaúba, passamos umas horas ali feitos cabras, subindo cada penhasco à procura de pinturas rupestres e voltamos.
Após a enchente do inverno passado o rio está tomando conta da paisagem. Largas baías se formam por todo lado e aqui e ali aparece o topo de alguma ilhota. Num ritmo aparentemente preguiçoso fomos remando de um canto para outro, marcando waypoints no gps e tirando fotografias das muitas aves presentes na região: carcarás, garças, mergulhões, galinhas d'água, socós, etcetera.
Por volta das 10:00h da manhã encostamos num rochedo para tirar a foto de um lagarto bonito e acabamos parando por um tempo ali. Myrra desembarcou a caixa das tintas e foi pintar um iguana numa rocha escolhida por afinidade com o bicho que será retratado. Comemos frutas e biscoitos e conversamos um bocadinho com Francisco, pescador que mora ali perto e veio nos conhecer; perguntei sobre o peixe e ele disse que tinha umas pescadas para vender, mas eu, lembrando que a pescada é um peixe chamado de "comida carrregada" na região, não quis arriscar eventuais dores de barriga.
Marcelo tentou pescar numas pedras com suas iscas artificiais, mas sem resultado. Mais uma vez ele pegou só uns peixinhos pequenos, que logo depois soltou livres na água. Valdo ficou vigiando essa pescaria.
Tito e eu esperamos Myrra terminar a sua pintura de molho na beira do rio, lembrando viagens passadas e projetando as futuras.
Quando Myrra completou a pintura, marcamos o waypoint e tiramos as fotos de circunstancia. Depois voltamos às canoas e aos nossos remos.
Cruzamos para a outra margem do rio passando por mais duas ilhotas, sendo os dois rochedos no topo de alguma área maior atualmente submersa.
Paramos na segunda ilhota por que Myrra quis ver a estatua de uma imagem sagrada entre duas pedras no alto do penhasco, colocada por alguém; mas quando Marcelo olhou direto de perto desvendou o mistério: nada de estatua, só um jogo de sombras nas pedras...
A margem do rio é abrupta e foi difícil encontrar um lugar onde parar; mas de repente encontramos ao mesmo tempo um bom lugar onde almoçar e uma grande pedra para Myrra pintar.
Mas, antes de tudo, para tomar um bom banho refrescante!
Inspirada pelos bonitos carcarás que de manhã posaram (quase) pra gente nos galhos secos de umas arvores, Myrra pintou um deles numa larga pedra bem na beirada d'água.
Para o almoço preparei feijão verde e carne de sol na panela de pressão, arroz refogado e uma salada mista. A panela de pressão resultou ser uma peça muito pratica de usar na minha "cozinha de acampamento". Nunca vou deixar de carregar uma durante estas expedições! eh eh eh...
Quando voltamos a remar, por volta das 3:00h, reparei que a gente ia cruzar a foz de um outro afluente do Piranhas, o rio da Garganta, e que o vento estava soprando com vigor.
Com o vento meio atravessado dobramos a ponta e entramos numa paisagem completamente diferente. O seco sertão deixa de repente espaço para a agricultura. Tudo está VERDE! Uma larga e baixa língua de terra divide o rio em dois canais. Entramos no canal maior, no lado da cidade, e continuamos remando.
É preciso prestar muita atenção: as cercas dos terrenos entram na água por dezenas de metros e os tocos submersos são perigosíssimos. A canoa onde viajam Tito e Valdo foi bater de raspão num toco desses e o casco ficou um pouco danificado, mas nada de grave... (com calma depois fiz um curativo nela com silver tape, eh eh eh!).
Durante a estiagem o leito do rio deve reduzir-se muito; o fundo, agora de areia, é bem baixinho e duas vezes ficamos atolados. A cidade e a ponte de Jucurutu no fundo nos levam de volta à civilização. O vento parou de soprar de repente e chegamos por baixo da ponte na maior calmaria.
Com Marcelo escalei a ponte e fui buscar água mineral e gelo no posto de gasolina à beira da estrada. Myrra foi procurar na internet uma imagem da coruja jucurutu, que deu nome aos índios que viviam na região, para sua última pintura durante esta expedição.
Quando voltamos às canoas, com Marcelo fui remando um pouco mais a monte da ponte, mas um grande banco de areia fechou definitivamente o caminho. Voltamos à ponte e com desconcerto entendemos que nos arredores não tinha arvore nenhuma para armar nossas redes.
Saímos de baixo da ponte e remamos até uma rara área não cultivada onde fixamos o Campo "G" já ao crepúscolo. Famintos, não esperamos cozinhar nada e comemos frutas, biscoitos, queijo, salame, pão, castanhas tomando café bem quente.
Armamos a barraca para Tito e estendemos uma lona bem dobrada na areia para nos dormir.
Às 8:00h da noite a lua apareceu no céu e todo mundo estava já dormindo. Sentado numa pequena espreguiçadeira, fiquei observando a lua com o binóculo por um pouco, escutando apenas uma batucada bem longínqua. Depois fui deitar eu também.
Nesse 3º dia de expedição percorremos cerca de 20 quilômetros remando.
4º dia
Às 5:00h acordei e logo despertei Marcelo para ir juntos à feira do domingo e voltar antes do dia esquentar. Myrra, que deve ter começado a pintar no escuro, terminou em breve sua última obra: uma coruja jucurutu, ave sagrada dos indios locais, que assim foram conhecidos pelos conquistadores que acabaram dando o mesmo nome à cidade.
Tomamos rapidamente um café enxuto e por volta das 6:00h deixamos Tito e Valdo à nossa espera e fomos pra feira. Foi nessa hora que marquei bobeira e esqueci de carregar comigo a câmera fotográfica... putz, que fotos boas deixei de tirar !!!
Botamos a canoa em seco por baixo da ponte e guardamos os remos numa fabrica de queijo ali ao lado. No posto de gasolina nos despedimos de Myrra, que vai continuar a sua viagem de ônibus, e caminhamos pela cidade até a feira.
Comprei muita fruta fresca, queijo, peixe, frango e carne de sol. Comprei também uma muda de mangueira, para plantar no terreno da Base IGARUANA no Sítio Araras. Procuramos um pouco, mas afinal conseguimos comprar uns sacos de gelo e começamos a voltar. No meio do caminho, num mercadinho comprei macarrão e café.
Voltamo à canoa e remamos até o campo base. Guardamos os alimentos nas caixas termícas e arrumamos toda a tralha nas canoas. Com a partida de Myrra, passageira da minha canoa por três dias, pudemos distribuir os pesos diferentemente entre as duas embarcações.
Considerada a ponte de Jucurutu ponto final desta expedição, começamos nossa viagem de volta, remando preguiçosamente numa manhã belissima, observando as numerosas aves nas beiradas.

A luz da manhã estava ótima para tirar fotografias, assim aproveitei de uma parada imprevista num banco de areia para descer da canoa e filmar um nutrido grupo de aves dando um showzinho pra gente.
Ao contrario, Tito e Valdo se empolgaram na remada e em breve desapareceram da nossa vista. Tentei chama-los usando até o apito, mas já estavam longe demais.
Os "apressadinhos" perderam de marcar junto com a gente a confluência do paralelo 6ºS com o meridiano 37ºW, bem no meio do rio.
Foi só depois de cruzar de novo a foz do rio afluente que houve a reconjunção do grupo. Fizemos um lanche rapido e fomos procurar um lugar onde arranchar para preparar o almoço. Subimos um pouco pelo rio Garganta e algumas centenas de metros depois do rochedo onde almoçamos no dia anterior, encontramos um recanto ainda melhor para parar. Uma enorme pedra lisa com um lugar privilegiado na sombra para descansar.
Cozinhei o arroz e botei o peixe na caçarola, com temperos e legumes, depois fui tomar um bom banho refrescante. Tito, deitado na pedra como um sniper, desparava clics com suas maquinas fotograficas. Os meninos descansaram na sombra.
Depois do almoço, quente, abondante e gostoso, só conseguimos ficar deitados na sombra falando besteira por um tempão.
Por volta das 3:00h voltamos a remar e subimos o afluente até onde deu. Num lugarzinho encantado, com aquela luz da tarde de tom bem quente, um tucunaré beijou minha mão, pendurada à pêlo d'água. Eh, eh, eh... momentos únicos!
Remamos contra o vento uma hora para procurar um lugar para acampar e não foi fácil encontrar a arvore certa no crepúsculo, mas afinal encontramos um local bom para armar a barraca e as redes. Nesse domingo preguiçoso percorremos apenas 12 quilometros.
Descarregada a tralha, tomamos um café bem quente e botei água para ferver e assim preparar uma energetica macarronada. Tito disse que não estava com tanta fome e que à macarronada preferia algo de mais leve, só pra beliscar e ir dormir logo. Assim arrumei pra ele um pratinho só com umas azeitonas, queijo em cubinhos, filé de tomate, assim mesmo, bem siples. Ficamos beliscando juntos, tomando café e conversando... mas na hora da macarronada ele não resistiu e comeu um pratão!!! E eu também.
Depois disso fui direto pra rede.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
Expedição Rio Caraú
1º dia
Acordei bem cedinho e revisei todo o equipamento antes da chegada de Marcelo. Ainda fui pro mercadinho comprar um botijão de água mineral e uma sandália nova para substituir aquela que acabara de quebrar. Quando Marcelo finalmente chegou guardamos uma canoa por baixo do imbuzeiro e carregamos a outra com toda nossa tralha. É muito importante nessa hora distribuir bem o peso da carga para garantir um bom equilíbrio da embarcação. Às 10:10h zarpamos enfim de Araras em direção SE; estamos intencionados a subir o rio Caraú, afluente do Piranhas, até onde der.
Às 11:15h chegamos a Itatinga, a pedra branca em tupi, um rochedo que domina a região; subimos até o topo e fixamos o waypoint com o gps no marco do DNOCS. De volta à canoa comemos uns biscoitos e às 12:00h voltamos a remar. Após um baixo e amplo rochedo, que proteje umas pequenas baias, entramos na foz do rio Caraú e cruzamos para outro lado com um pouco de vento contrario. Por volta das 13:00h chegamos à ilha das Cabras, assim batizada pela maciça presença do animal. Na verdade se trata de um promontório que durante a enchente fica isolado. Acendemos uma pequena fogueira e preparamos café quente, que tomamos comendo uns sanduíches de patê de peru e tomate fatiado que preparei na hora. Foi nessa ocasião que reparei ter deixado em cima da geladeira a penca de bananas destinadas à expedição... putz! De rolé na ilha, descobrimos dois lugares diferentes ótimos para tomar banho, numa enseada abrigada um e outro aos pés dum rochedo, ambos com fundo de areia.
Às 14:15h saímos da ilha das Cabras e remando por uma hora em direção E, com um leve vento contrario, chegamos num lugar bonito que, após breve exame, se demonstrou apropriado para acampar, armar as redes e fazer fogueira. Batizado o lugar de Campo Alfa, desembarcamos a tralha toda, limpamos a área que iríamos ocupar com nosso rancho e acendemos o fogo entre umas pedras perfeitas para uma cozinha de campo. Caminhando para conhecer mais o lugar, não encontramos que algumas cabras e não avistamos nenhuma casa nas vizinhanças. O Campo Alfa é perfeito para o acampamento, pois dispõe de amplas áreas bem niveladas onde armar as barracas perto do rancho; existem também uns lugares à beira d’água onde tomar banho em total privacidade. Às 18:00h jantamos fígado acebolado na brasa, feijão verde e macarrão; na caneca café quente. Depois deitamos nas redes e ficamos conversando um bocado antes de dormir. Ao longo da noite foi interessante descobrir que no Campo Alfa não tem mosquitos, pernilongos, etc... beleza!
2º dia
Acordei às 5:15h escutando o barulho da lenha sendo quebrada por Marcelo, mas fiquei mais um pouco deitado na rede. Quinze minutos depois o café estava pronto e o aroma dele me acordou definitivamente. Comemos biscoitos e frutas; depois arrumamos toda a tralha e levamos perto da canoa. Deixamos o Campo Alfa melhor de como o encontramos, pois aproveitamos para levar junto com o nosso um pouco de lixo que encontramos espalhado.
Às 7:00h saímos do Campo Alfa bem devagarzinho, eu remando e Marcelo pescando. Num momento um pequeno tucunaré mordeu a isca, mas foi logo devolvido pro rio. Guardado o material de pesca, testamos nossa velocidade com o gps, dando uma carreirinha e marcando 7 km/h.
O céu hoje amanheceu cinza e o vento começou a soprar cedo. Tudo indica que iremos pegar chuva. Remamos com o vento de contra para atravessado até a ponte da RN 118, aonde chegamos por volta das 8:30h. Ao passar por baixo da ponte conferi com o gps a marcação feita com antecedência no Google Earth. Nos dois lados da ponte estão erguidas as casas do povoado que tem o mesmo nome do rio. Duzentos metros à frente encontramos a velha ponte e para continuar a viagem tivemos que fazer uma portagem; à causa da enchente o nível do rio está tão alto que a velha ponte fica quase completamente submergida. Impossível passar por baixo. Em caso como isto se deve retirar da canoa toda a carga pesada e literalmente passar o obstáculo carregando a embarcação. Nos ajudaram dois pescadores locais, que nos acompanharam até o ponto melhor para fazer a portagem e nos auxiliaram durante a operação. Valeu!
Por causa da enchente, o rio Caraú alagou boa parte da região circunstante; às vezes fica até difícil entender onde esteja o leito do rio. Após ter dado duas largas voltas paramos numa enseada lamacenta e subimos até uma simples carvoaria no meio do mato. Ali tirei as ultimas fotografias desta expedição, porque a câmera quebrada, que há alguns dias tinha voltado a funcionar, parou de novo. Na mesma hora começou também a chover. Às 9:40h primeiro veio uma chuva fininha por uma meia hora. Marcelo ficou pescando um pouco nas pedras e eu fui dar uma caminhada por ali. Quando estiou, fizemos um rápido lanche energético (biscoitos, rapadura, castanha de caju, mel e fruta).
Ao sair dali a chuva recomeçou a cair: uma hora rala, outra mais grossa. Fomos subindo o rio devagar, reduzindo a velocidade perto de cada pedra ou rochedo para Marcelo pescar um bom peixe para comer no jantar. De novo ele pegou um peixe pequeno (outro tucunaré) e o devolveu ao rio.
Às 11:00h, por baixo da chuva, paramos no meio do rio para conversar com um pescador que estava jogando tarrafa de cima de uma pequena jangada; ele disse que de ali deveria ter mais uns três ou quatro quilômetros de rio navegável, antes de se transformar num pântano. Assim continuamos subindo o rio... ora na chuva, ora não... Marcelo jogando a isca em todos os cantos interessantes, mas sem sucesso. À beira dessa banda do rio Caraú, da nascente até a ponte velha, os moradores da região aproveitam da enchente para plantar de tudo. As cercas dos terrenos ficam em parte submergidas, merecendo atenção dobrada para evitar colisões indesejadas. Por causa da chuva não nos deparamos com muita presença humana: além dos poucos pescadores, só avistamos uma lavadeira, ajoelhada numa pedra. Ao contrario avistamos muitas aves e pássaros: garças, socós, mergulhões, etc...
Às 12:15, sendo impossível continuar remando, descemos da canoa e avançamos os últimos cinqüenta metros com a água até as canelas, rebocando nossa embarcação, para conferir que realmente não tivesse como continuar adiante do largo pântano. Com o gps marquei a localização exata, observado por um grupo de grandes garças brancas, que estavam esperando esse dia de chuva passar, cada uma em cima de uma estaca de alguma cerca ali.
Voltamos a remar, mas muito lentamente, saboreando um panorama inesperado, mas não menos belo: uma paisagem bonita num dia de chuva! Após uma meia hora a chuva engrossou e assim, já com fome, paramos por baixo de uma mangueira. Tentamos até acender um fogo para fazer o café, mas sem muita sorte, assim comemos nossos sanduíches bebendo água da chuva... eh eh eh !!! (brincadeira...)
Pouco depois deu nova estiada e voltamos a remar. Um pedacinho de céu rasgou mostrando um pouco de azul. Otimista, troquei a camiseta molhada por uma seca. Dez minutos depois começou a descer uma garoa que nos acompanhou até a ponte velha, onde repetimos a portagem no sentido contrario, dessa vez sem a ajuda de ninguém. Passamos por baixo da ponte e fomos dar a volta de um rochedo solitário perto dali para marcar a posição no gps. Rumamos pro Campo Alfa preguiçosos.
De repente a chuva engrossou e o vento cresceu. Caiu um verdadeiro toró e, não podendo fazer nada de melhor, nós continuamos remando. Com um ritmo de 45 remadas por minuto pegamos uma boa velocidade e chegamos ao Campo Alfa perto das 4:00h. Descarregamos rapidamente toda a tralha e viramos a canoa na areia. Aí eu vi que de manhã Marcelo lavou e deixou de molho a grelha na beirinha; ali onde a esquecemos a reencontramos. Com a lona laranja e uns cabos armamos um toldo entre as arvores para criar uma área seca. Depois demoramos um tempão para conseguir acender o fogo.
Botamos no fogo a água para o café e aquela para os legumes e Marcelo ficou vigiando para evitar que o fogo apagasse. Sentado no balde virado à frente de uma pedra definitivamente perfeita como plano de trabalho, descasquei e cortei em cubinhos batata e cenoura para cozê-las como acompanhamento do delicioso picado de fígado acebolado com cominho que preparei. Aproveito da ocasião para explicar que quando fui fazer a feira no mercado não tinha a carne de sol que queria comprar e foi o balconista que me empurrou esse fígado que comemos nesses dias... eh eh eh !!!
Depois do jantar fomos olhar a lua e as estrelas no céu manifestar uma tendência à melhora climática. Conversamos um pouco e depois fomos deitar nas redes. Marcelo dormiu logo, eu fiquei ainda um tempo lendo à luz do lampião.
3º dia
Sem pressa acordamos por volta das 7:00h e tomamos café com frutas e biscoitos. Arrumamos todo o equipamento e carregamos a canoa. Às 9:30h com toda calma zarpamos do Campo Alfa e ficamos por um tempo na área procurando um atracadouro alternativo ao usado nesses dias, onde tem algumas pedras perigosas. Marcelo aproveitou para fazer mais uma tentativa de pesca, mas sem êxito.
Após uma meia hora apontamos a proa para a ilha das Cabras e encostamos nela, mas sem descer. A chuva do dia anterior é só uma lembrança e o céu está bem azul. Pensei em conhecer melhor uma grande enseada conhecida pelos pescadores como “Três Postes”, do lado esquerdo da foz do rio Caraú, mas acabei aceitando a proposta de Marcelo e fomos até a ilha E, que batizamos assim porque o dono da mansão ali construída se chama Edivaldo ou algo parecido. Com o vento a favor chegamos à ilha em menos de quinze minutos. Aportamos numa praia de areia fina e, após ter cumprimentado o caseiro fomos dar um rolé para conhecer o lugar. Registrei as coordenadas da ilha E no gps e fizemos um rápido lanche com biscoitos e frutas.
De novo na canoa fomos dar a volta inteira dessa ilha que parecem três e Marcelo, na ultima tentativa do dia de pescar, estourou a linha e ficou roxo de raiva quando sua isca artificial foi pro fundo para sempre!
Apontamos para a Itatinga e, quando chegamos a quatrocentos metros de distancia, dobramos para esquerda e entramos em outra grande enseada que ainda não conhecia; muitas carnaubeiras e só três casas, uma bem distante da outra.
Sem rumo certo, ficamos encostando aqui e ali, olhando as aves pescadoras voar bem baixinho sobre o espelho d’água e trocando idéias sobre técnicas de remada e acampamento. Sem nem reparar quase, já estávamos beirando a ilha perto de Araras... Mais umas poucas remadas e chegamos em casa.
Acordei bem cedinho e revisei todo o equipamento antes da chegada de Marcelo. Ainda fui pro mercadinho comprar um botijão de água mineral e uma sandália nova para substituir aquela que acabara de quebrar. Quando Marcelo finalmente chegou guardamos uma canoa por baixo do imbuzeiro e carregamos a outra com toda nossa tralha. É muito importante nessa hora distribuir bem o peso da carga para garantir um bom equilíbrio da embarcação. Às 10:10h zarpamos enfim de Araras em direção SE; estamos intencionados a subir o rio Caraú, afluente do Piranhas, até onde der.
Às 11:15h chegamos a Itatinga, a pedra branca em tupi, um rochedo que domina a região; subimos até o topo e fixamos o waypoint com o gps no marco do DNOCS. De volta à canoa comemos uns biscoitos e às 12:00h voltamos a remar. Após um baixo e amplo rochedo, que proteje umas pequenas baias, entramos na foz do rio Caraú e cruzamos para outro lado com um pouco de vento contrario. Por volta das 13:00h chegamos à ilha das Cabras, assim batizada pela maciça presença do animal. Na verdade se trata de um promontório que durante a enchente fica isolado. Acendemos uma pequena fogueira e preparamos café quente, que tomamos comendo uns sanduíches de patê de peru e tomate fatiado que preparei na hora. Foi nessa ocasião que reparei ter deixado em cima da geladeira a penca de bananas destinadas à expedição... putz! De rolé na ilha, descobrimos dois lugares diferentes ótimos para tomar banho, numa enseada abrigada um e outro aos pés dum rochedo, ambos com fundo de areia.
Às 14:15h saímos da ilha das Cabras e remando por uma hora em direção E, com um leve vento contrario, chegamos num lugar bonito que, após breve exame, se demonstrou apropriado para acampar, armar as redes e fazer fogueira. Batizado o lugar de Campo Alfa, desembarcamos a tralha toda, limpamos a área que iríamos ocupar com nosso rancho e acendemos o fogo entre umas pedras perfeitas para uma cozinha de campo. Caminhando para conhecer mais o lugar, não encontramos que algumas cabras e não avistamos nenhuma casa nas vizinhanças. O Campo Alfa é perfeito para o acampamento, pois dispõe de amplas áreas bem niveladas onde armar as barracas perto do rancho; existem também uns lugares à beira d’água onde tomar banho em total privacidade. Às 18:00h jantamos fígado acebolado na brasa, feijão verde e macarrão; na caneca café quente. Depois deitamos nas redes e ficamos conversando um bocado antes de dormir. Ao longo da noite foi interessante descobrir que no Campo Alfa não tem mosquitos, pernilongos, etc... beleza!
2º dia
Acordei às 5:15h escutando o barulho da lenha sendo quebrada por Marcelo, mas fiquei mais um pouco deitado na rede. Quinze minutos depois o café estava pronto e o aroma dele me acordou definitivamente. Comemos biscoitos e frutas; depois arrumamos toda a tralha e levamos perto da canoa. Deixamos o Campo Alfa melhor de como o encontramos, pois aproveitamos para levar junto com o nosso um pouco de lixo que encontramos espalhado.
Às 7:00h saímos do Campo Alfa bem devagarzinho, eu remando e Marcelo pescando. Num momento um pequeno tucunaré mordeu a isca, mas foi logo devolvido pro rio. Guardado o material de pesca, testamos nossa velocidade com o gps, dando uma carreirinha e marcando 7 km/h.
O céu hoje amanheceu cinza e o vento começou a soprar cedo. Tudo indica que iremos pegar chuva. Remamos com o vento de contra para atravessado até a ponte da RN 118, aonde chegamos por volta das 8:30h. Ao passar por baixo da ponte conferi com o gps a marcação feita com antecedência no Google Earth. Nos dois lados da ponte estão erguidas as casas do povoado que tem o mesmo nome do rio. Duzentos metros à frente encontramos a velha ponte e para continuar a viagem tivemos que fazer uma portagem; à causa da enchente o nível do rio está tão alto que a velha ponte fica quase completamente submergida. Impossível passar por baixo. Em caso como isto se deve retirar da canoa toda a carga pesada e literalmente passar o obstáculo carregando a embarcação. Nos ajudaram dois pescadores locais, que nos acompanharam até o ponto melhor para fazer a portagem e nos auxiliaram durante a operação. Valeu!
Por causa da enchente, o rio Caraú alagou boa parte da região circunstante; às vezes fica até difícil entender onde esteja o leito do rio. Após ter dado duas largas voltas paramos numa enseada lamacenta e subimos até uma simples carvoaria no meio do mato. Ali tirei as ultimas fotografias desta expedição, porque a câmera quebrada, que há alguns dias tinha voltado a funcionar, parou de novo. Na mesma hora começou também a chover. Às 9:40h primeiro veio uma chuva fininha por uma meia hora. Marcelo ficou pescando um pouco nas pedras e eu fui dar uma caminhada por ali. Quando estiou, fizemos um rápido lanche energético (biscoitos, rapadura, castanha de caju, mel e fruta).
Ao sair dali a chuva recomeçou a cair: uma hora rala, outra mais grossa. Fomos subindo o rio devagar, reduzindo a velocidade perto de cada pedra ou rochedo para Marcelo pescar um bom peixe para comer no jantar. De novo ele pegou um peixe pequeno (outro tucunaré) e o devolveu ao rio.
Às 11:00h, por baixo da chuva, paramos no meio do rio para conversar com um pescador que estava jogando tarrafa de cima de uma pequena jangada; ele disse que de ali deveria ter mais uns três ou quatro quilômetros de rio navegável, antes de se transformar num pântano. Assim continuamos subindo o rio... ora na chuva, ora não... Marcelo jogando a isca em todos os cantos interessantes, mas sem sucesso. À beira dessa banda do rio Caraú, da nascente até a ponte velha, os moradores da região aproveitam da enchente para plantar de tudo. As cercas dos terrenos ficam em parte submergidas, merecendo atenção dobrada para evitar colisões indesejadas. Por causa da chuva não nos deparamos com muita presença humana: além dos poucos pescadores, só avistamos uma lavadeira, ajoelhada numa pedra. Ao contrario avistamos muitas aves e pássaros: garças, socós, mergulhões, etc...
Às 12:15, sendo impossível continuar remando, descemos da canoa e avançamos os últimos cinqüenta metros com a água até as canelas, rebocando nossa embarcação, para conferir que realmente não tivesse como continuar adiante do largo pântano. Com o gps marquei a localização exata, observado por um grupo de grandes garças brancas, que estavam esperando esse dia de chuva passar, cada uma em cima de uma estaca de alguma cerca ali.
Voltamos a remar, mas muito lentamente, saboreando um panorama inesperado, mas não menos belo: uma paisagem bonita num dia de chuva! Após uma meia hora a chuva engrossou e assim, já com fome, paramos por baixo de uma mangueira. Tentamos até acender um fogo para fazer o café, mas sem muita sorte, assim comemos nossos sanduíches bebendo água da chuva... eh eh eh !!! (brincadeira...)
Pouco depois deu nova estiada e voltamos a remar. Um pedacinho de céu rasgou mostrando um pouco de azul. Otimista, troquei a camiseta molhada por uma seca. Dez minutos depois começou a descer uma garoa que nos acompanhou até a ponte velha, onde repetimos a portagem no sentido contrario, dessa vez sem a ajuda de ninguém. Passamos por baixo da ponte e fomos dar a volta de um rochedo solitário perto dali para marcar a posição no gps. Rumamos pro Campo Alfa preguiçosos.
De repente a chuva engrossou e o vento cresceu. Caiu um verdadeiro toró e, não podendo fazer nada de melhor, nós continuamos remando. Com um ritmo de 45 remadas por minuto pegamos uma boa velocidade e chegamos ao Campo Alfa perto das 4:00h. Descarregamos rapidamente toda a tralha e viramos a canoa na areia. Aí eu vi que de manhã Marcelo lavou e deixou de molho a grelha na beirinha; ali onde a esquecemos a reencontramos. Com a lona laranja e uns cabos armamos um toldo entre as arvores para criar uma área seca. Depois demoramos um tempão para conseguir acender o fogo.
Botamos no fogo a água para o café e aquela para os legumes e Marcelo ficou vigiando para evitar que o fogo apagasse. Sentado no balde virado à frente de uma pedra definitivamente perfeita como plano de trabalho, descasquei e cortei em cubinhos batata e cenoura para cozê-las como acompanhamento do delicioso picado de fígado acebolado com cominho que preparei. Aproveito da ocasião para explicar que quando fui fazer a feira no mercado não tinha a carne de sol que queria comprar e foi o balconista que me empurrou esse fígado que comemos nesses dias... eh eh eh !!!
Depois do jantar fomos olhar a lua e as estrelas no céu manifestar uma tendência à melhora climática. Conversamos um pouco e depois fomos deitar nas redes. Marcelo dormiu logo, eu fiquei ainda um tempo lendo à luz do lampião.
3º dia
Sem pressa acordamos por volta das 7:00h e tomamos café com frutas e biscoitos. Arrumamos todo o equipamento e carregamos a canoa. Às 9:30h com toda calma zarpamos do Campo Alfa e ficamos por um tempo na área procurando um atracadouro alternativo ao usado nesses dias, onde tem algumas pedras perigosas. Marcelo aproveitou para fazer mais uma tentativa de pesca, mas sem êxito.
Após uma meia hora apontamos a proa para a ilha das Cabras e encostamos nela, mas sem descer. A chuva do dia anterior é só uma lembrança e o céu está bem azul. Pensei em conhecer melhor uma grande enseada conhecida pelos pescadores como “Três Postes”, do lado esquerdo da foz do rio Caraú, mas acabei aceitando a proposta de Marcelo e fomos até a ilha E, que batizamos assim porque o dono da mansão ali construída se chama Edivaldo ou algo parecido. Com o vento a favor chegamos à ilha em menos de quinze minutos. Aportamos numa praia de areia fina e, após ter cumprimentado o caseiro fomos dar um rolé para conhecer o lugar. Registrei as coordenadas da ilha E no gps e fizemos um rápido lanche com biscoitos e frutas.
De novo na canoa fomos dar a volta inteira dessa ilha que parecem três e Marcelo, na ultima tentativa do dia de pescar, estourou a linha e ficou roxo de raiva quando sua isca artificial foi pro fundo para sempre!
Apontamos para a Itatinga e, quando chegamos a quatrocentos metros de distancia, dobramos para esquerda e entramos em outra grande enseada que ainda não conhecia; muitas carnaubeiras e só três casas, uma bem distante da outra.
Sem rumo certo, ficamos encostando aqui e ali, olhando as aves pescadoras voar bem baixinho sobre o espelho d’água e trocando idéias sobre técnicas de remada e acampamento. Sem nem reparar quase, já estávamos beirando a ilha perto de Araras... Mais umas poucas remadas e chegamos em casa.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Araras - 1ª base operacional IGARUANA
Após muita procura encontrei o lugar certo onde fundar a 1ª base operacional IGARUANA. À beira do rio Piranhas, no município de Itajá/RN, na proximidade da barragem que forma o maior reservatório de água do Estado. Num promontório conhecido como Sitio Araras poucas construções constituem a colônia dos pescadores. Uma pequena baia é o abrigadouro das típicas embarcações dos pescadores locais e de agora em diante também das elegantes canoas IGARUANA.
A Base Araras, atualmente em reforma estrutural, será formalmente inaugurada no próximo outubro, em ocasião da primeira expedição IGARUANA aberta ao publico.
Fique ligado!As coordenadas geográficas da Base Araras em Itajá/RN são as seguintes:
S 05º40'471"
W 36º52'353"
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Tomar um autêntico banho de cuia
A água se conserva no tanque do banheiro das casas de campo a uma temperatura sempre menor que a ambiente, garantindo um verdadeiro banho refrescante. Experimente o prazeroso frescor do popularissimo "banho de cuia", se puder usando um sabonete natural de puro coco...
• Molhe a cabeça e o corpo com algumas cuias de água;
• Apoie a cuia cheia pela metade na borda do tanque e use a água contida nela para molhar o sabonete. Ensaboe e massageie todo o corpo.
• Nunca imirja o sabonete no tanque;
• Quando terminar jogue a água ensaboada contida na cuia no vaso sanitário;
• Enfim enxague abondantemente o corpo servindo-se da cuia e pronto.
• Molhe a cabeça e o corpo com algumas cuias de água;
• Apoie a cuia cheia pela metade na borda do tanque e use a água contida nela para molhar o sabonete. Ensaboe e massageie todo o corpo.
• Nunca imirja o sabonete no tanque;
• Quando terminar jogue a água ensaboada contida na cuia no vaso sanitário;
• Enfim enxague abondantemente o corpo servindo-se da cuia e pronto.
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